ATA DA 43.ª (QUADRAGÉSIMA TERCEIRA) SESSÃO SOLENE DA 4.ª (QUARTA) SESSÃO LEGISLATIVA DA 31.ª (TRIGÉSIMA PRIMEIRA) LEGISLATURA DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO CEARÁ.
Às dezessete horas e quarenta minutos de vinte e nove de abril de dois mil e vinte e seis compareceu ao Plenário 13 de Maio o deputado eleito, diplomado e empossado para a Trigésima Primeira Legislatura do Estado do Ceará, Renato Roseno.
Invocando a proteção de Deus, o presidente Renato Roseno declarou aberta esta sessão solene em comemoração dos 30 anos do Movimento Saúde Mental - MSM, atendendo a requerimento de sua autoria, subscrito pelas deputadas Larissa Gaspar e Jô Farias e pelo deputado Missias Dias, deferido pela Presidência; e convidou para compor a mesa o fundador do MSM do bairro Bom Jardim, Padre Rino Bonvini; o presidente do Tribunal de Contas do Estado do Ceará – TCE, Rholden Botelho de Queiroz; a desembargadora do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará – TJCE, Graça Quental; o superintendente do Instituto do Desenvolvimento Agrário do Ceará – Idace, João Alfredo; a coordenadora da Política de Saúde Mental do Estado do Ceará, Rane Félix, e a coordenadora do Centro de Defesa da Vida Herbert de Sousa – CDVHS, Lúcia Albuquerque.
De início, oitiva do Hino Nacional, seguida de exibição de vídeo institucional da Alece.
O mestre de cerimônias Ronaldo César informou que em 1996, como parte da caminhada dos Missionários Combonianos em Fortaleza e das Comunidades Eclesiais de Base – seguindo a visão ecumênica de Dom Aloísio Lorscheider e a Teologia da Libertação, o padre Rino Bonvini reuniu grupos de lideranças comunitárias e iniciou o Movimento Saúde Mental Comunitária do Bom Jardim; que à época teve início um trabalho para a criação de espaços de escuta e de acompanhamento terapêutico para famílias em situação de risco e de extrema pobreza e, passadas três décadas, o MSM agregou e atualmente opera iniciativas diversas no campo socioterapêutico, incluindo grupos de terapia comunitária, espaços de autoajuda voltados à recuperação da autoestima, atendimentos em práticas como biomagnetismo, massoterapia, reiki, acupuntura e demais práticas integrativas e complementares em Saúde, além de fazer o acompanhamento de crianças e adolescentes vinculados ao projeto “Sim à vida” e executar ações de valorização da cultura indígena das etnias cearenses.
O presidente Renato Roseno cumprimentou as pessoas presentes e enalteceu a importância do MSM como grupo precursor em cuidados na área da saúde mental, principalmente pela humanidade contemporânea emitir sinais de adoecimento em larga escala; que as várias abordagens trabalhadas pelo movimento deram origem a modalidades terapêuticas baseadas no território e justificou que a abordagem sistêmica comunitária não concebe o território como elemento negativo e estigmatizado, ao contrário, repensa a força de vida que nasce nas periferias e que as agruras da vida são vencidas por ações de vida, e não de violência e morte, com base em teorias e práticas humanistas ancoradas no conhecimento que nasce do cuidado coletivo e na auto-organização comum.
Deputada Larissa Gaspar, por meio de vídeochamada, manifestou solidariedade ao grupo e reafirmou compromisso com a criação de políticas voltadas à saúde mental e ao fortalecimento da rede de apoio.
Na sequência, exibição de vídeo sobre o MSM, seguida de apresentação artística protagonizada pelas crianças do Projeto “Sim à vida”.
Ato contínuo, o presidente Renato Roseno entregou certificados às pessoas homenageadas.
Padre Rino Bonvini, fundador do Movimento Saúde Mental, explicou que a abordagem sistêmica comunitária promovida pelo MSM une psiquiatria, medicina e espiritualidade em uma metodologia que se expande dos consultórios para o tecido social da comunidade, fundamentada nos pilares da autopoiese comunitária, da trofolaxe humana e na sintropia; que atualmente a organização realiza de 3.500 a 3.700 atendimentos mensais exercidos por equipes de 54 colaboradores e dezenas de voluntários que trabalham a transformação social através de práticas terapêuticas integrativas, apoio psicossocial e projetos de geração de renda; que a ideia é que, em um sistema econômico que “deseja escravizar e retirar a dignidade das pessoas em detrimento de uns poucos privilegiados”, as pessoas possam se conhecer, se valorizar, desenvolver autoestima saudável e se realizar em um projeto de vida comunitário; que as palavras “resistência” e “revolução” são usadas cotidianamente com vistas a reconfigurar o bairro Bom Jardim e exaltar o oposto ao estigma de violência e marginalização, privilegiando justamente o que pode vir a ser e se praticar em palco de experiências proféticas.
Lúcia Albuquerque reforçou a importância da vivência biopsicoespiritual para as pessoas que habitam os territórios e argumentou que as vivências promovidas pelo MSM e seus gestos de escuta e cuidado são absolutamente necessários, posto que sem essas experiências sobram ausências que as afastam do coletivo, do político e consequentemente, da dignidade.
Por fim, anúncio do Hino do Estado do Ceará.
Nada mais havendo a tratar,o presidente Renato Roseno encerrou a solenidade.