Alece terá a maior proporção de mulheres em um parlamento estadual no Brasil
Por Odara Creston09/10/2026 10:03 | Atualizado há 59 minutos
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No último domingo (04/10), primeiro turno das eleições deste ano, milhões de brasileiros elegeram deputados estaduais ao redor do País. Após apurações dos resultados, o Ceará se destacou na proporção de mulheres que irão assumir o mandato na próxima legislatura. A partir de 2027, a bancada feminina na Alece passa a ter a maior proporção de mulheres em um parlamento estadual no Brasil.
Das 46 cadeiras da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), 30,5% serão ocupadas por mulheres, eleitas por cinco legendas partidárias. Entre as 14 deputadas eleitas, nove assumirão o mandato pela primeira vez, representando uma renovação de 64,3% da bancada feminina.
Nas eleições de 2022, nove mulheres foram eleitas deputadas estaduais, número que já representava um recorde à época. Quatro anos depois, a presença feminina no Parlamento cearense avançou novamente. Da 31ª para a 32ª legislatura, que terá início em fevereiro de 2027, as mulheres avançaram na representação da Casa em 55,5%.
Das 14 mulheres eleitas para a 32ª legislatura, o PSB reúne a maior bancada feminina, com Fabiola Carneiro, Manu Pimenta, Paloma Nunes e as reeleitas Lia Gomes e Marta Gonçalves. Na sequência, o PT conta com Jade Romero, Lais Nunes, Liziany Medeiros e Jô Farias (reeleita para mais um mandato).
Pelo PL, foram eleitas Bella Carmelo e Dra. Mayra Pinheiro, além da reeleita Dra. Silvana. Completam a representação feminina na Casa Emilia Pessoa (PSDB), reeleita, e Georgia do Marcelão (Solidariedade), que inicia seu primeiro mandato.
PARTICIPAÇÃO FEMININA E FORTALECIMENTO INSTITUCIONAL
Reeleita para o quarto mandato, a deputada Dra. Silvana (PL) celebrou o aumento da participação feminina no Parlamento cearense. “É muito bom vermos cada vez mais mulheres aguerridas que disponibilizam seus nomes para enfrentar e participar da vida pública. Eu acredito em um Estado mais justo e igualitário, com a presença de mais mulheres", declarou.
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Dra. Silvana (PL) vai para o quarto mandato consecutivo na Alece - Foto: Júnior Pio
A representação feminina não se restringe à bancada parlamentar. A atual legislatura também registra avanços na participação das mulheres nos espaços de decisão da Alece. Em 2025, a deputada Larissa Gaspar (PT) tornou-se a primeira mulher da história da Casa a ocupar a vice-presidência da Mesa Diretora.
O presidente da Alece, deputado Romeu Aldigueri (PSB), destacou a importância do aumento da representação feminina no Parlamento cearense. “Esse crescimento é fundamental, não apenas pela questão da melhor representatividade da sociedade, mas também porque, em períodos de tensão política, a mulher traz mais razoabilidade e uma força de trabalho fundamentada no diálogo, na sensibilidade e em uma visão de mundo que busca soluções ao invés de conflitos”, afirmou.
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Presidente da Alece, deputado Romeu Aldigueri destaca o avanço feminino na Casa - Foto: Júnior Pio
A 31ª legislatura também foi marcada pelo fortalecimento de estruturas institucionais voltadas à promoção e à defesa dos direitos das mulheres. Em março de 2025, foi criada a Comissão de Defesa e Direitos da Mulher (CDDM), por meio da Resolução n.º 770/2025. Composta por cinco parlamentares titulares e cinco suplentes, a comissão atua na discussão e no acompanhamento de temas relacionados à população feminina. “Hoje, a comissão é uma referência para outras assembleias do País”, afirmou o deputado Romeu Aldigueri.
Deputada reeleita e presidente da CDDM, Lia Gomes (PSB) considera a criação do colegiado como um marco permanente e muito significativo para as mulheres. “Isso demonstra que a defesa dos nossos direitos deixou de ser uma pauta pontual para se tornar uma agenda permanente do Parlamento", defendeu.
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Deputada Lia Gomes preside a Comissão de Defesa e Direitos da Mulher da Alece - Foto: Júnior Pio
Lia Gomes também refletiu sobre os avanços que tem observado. “O principal avanço foi entendermos que política pública para mulher não pode ser pensada de maneira isolada. Quando falamos em violência contra a mulher, por exemplo, precisamos falar também de autonomia financeira, educação, saúde, moradia, emprego, renda, segurança e participação política", comentou.
Além da comissão, a Alece mantém a Procuradoria Especial da Mulher (PEM), órgão responsável por receber e encaminhar denúncias de violência e discriminação contra as mulheres, acompanhar programas estaduais de promoção da igualdade de gênero e articular parcerias para o desenvolvimento de políticas públicas. “Eu acho que, quanto mais mulheres tivermos aqui, mais debates sobre a violência contra a mulher nós vamos ter”, destacou a deputada Dra. Silvana (PL).
A ESTREIA NA ASSEMBLEIA EM 2027
A deputada eleita Fabiola Carneiro (PSB) compartilhou seu orgulho e vontade de trabalhar na Casa do Povo cearense. “Chegar à Alece em uma legislatura histórica para a representatividade feminina é uma conquista que carrego com orgulho e responsabilidade. Como mulher do sertão, quero dar voz àquelas que muitas vezes não são ouvidas, priorizando o combate à violência, a autonomia feminina, a educação, a inclusão e a proteção às famílias", frisou.

Estreante na Casa, a deputada eleita Fabiola Carneiro compartilha o orgulho de representar as mulheres - Foto: MagnoToy
Fabiola defende que o aumento de vagas femininas só terá sentido se transformado em voz, protagonismo e poder real de decisão. “Sei que ainda enfrentamos barreiras e preconceitos, mas acredito que a competência, a união e o trabalho podem transformar essa realidade”, disse.
Eleita para seu primeiro mandato na Alece, Bella Carmelo (PL) destacou que a ampliação da presença feminina nos espaços de decisão pode incentivar outras mulheres a ingressarem na vida política. “Talvez, daqui a alguns anos, mais mulheres estejam ocupando vagas na Câmara de Fortaleza, na Assembleia Legislativa e em outras instituições, porque se sentiram representadas e inspiradas por lideranças femininas”, afirmou.

Bella Carmelo foi a candidata mais votada no pleito para o Parlamento estadual - Foto: Pablo Cardoso
A deputada eleita também apontou a educação e o apoio às famílias atípicas entre suas principais prioridades para o mandato, ressaltando que a defesa dos direitos das mulheres abrange diferentes áreas das políticas públicas. “Garantir uma educação pública de qualidade, ampliar o acesso às creches, melhorar a infraestrutura das escolas, assegurar uma alimentação escolar adequada e oferecer suporte às famílias atípicas também são formas de promover os direitos e a qualidade de vida das mulheres”, destacou.
Edição: Vandecy Dourado
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