Conexão Alece faz alerta para saúde mental de crianças e adolescentes
Por Luciana Meneses16/09/2024 12:03 | Atualizado há 9 meses
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O Conexão Alece, programa multiplataforma da rádio FM Assembleia (96,7 MHz), debateu, nesta segunda-feira (16/09), os altos índices de suicídio entre os jovens. O convidado da semana foi o médico psiquiatra Pedro Reis, que conversou sobre saúde mental de crianças e adolescentes.
Segundo o especialista, crianças só adquirem uma noção mais clara sobre vida e morte por volta dos seus oito anos de idade, o que afastaria ainda mais a opção da morte como solução para a dor ou o problema que está vivendo. “É sempre importante frisar que aquela pessoa, seja criança ou adulta, não quer morrer, ela quer parar aquele sofrimento ou situação que está gerando aflição”, frisou o médico.
O psiquiatra alertou ainda para a atenção a mudanças de comportamento na infância e na adolescência. “Identificar a depressão ou outras doenças mentais nessa faixa etária é mais complicado, pois, mesmo estando tristes, respondem a estímulos positivos. Então o principal é observar mudanças no comportamento. Desinteresse em atividades que gostavam, como um esporte, um lazer; distanciamento; irritabilidade podem ser sinais de alguma aflição ou sofrimento. O ideal é que os responsáveis se aproximem, acolham, perguntem e busquem uma ajuda profissional para identificar qualquer que seja o diagnóstico e trabalhá-lo”, aconselhou.
O entrevistado destacou a própria saúde dos pais ou responsáveis como fundamental, uma vez que são espelhos para a criança e o adolescente. “Isso pode vir desde a gestação solitária de uma mãe, a sobrecarga, privação de sono, alimentação adequada, por isso é tão importante a rede de apoio. Pois, uma vez que os pais estão doentes, muito dificilmente aquilo não impactará na rotina e saúde do filho”, exemplificou.
Sobre o perigo do uso exagerado de telas e a exposição às redes sociais, Pedro Reis foi taxativo. “Crianças e adolescentes ainda estão construindo sua identidade e, ao mesmo tempo, preocupando-se com o número de curtidas. Isso afeta muito a eles, seja sobre a aparência, a aceitação, a uma vida perfeita que não existe, nos distanciando de uma vida que faz sentido para a gente. Para além disso, o tempo que se perde em frente às telas acaba por roubar muitas vivências positivas”, opinou.
Em relação aos adolescentes, o psiquiatra pede aos pais que estejam sempre mantendo um bom diálogo com os filhos. “Os adolescentes conversam muito entre si, e essa parceria possibilita um grande apoio ao amigo que pode estar em sofrimento, mas em muitos casos o amigo se responsabiliza com a dor do outro e acaba adoecendo também. E tudo em segredo. Então os responsáveis, sejam os pais, professores, psicólogos da escola, que conversam e identificam esses comportamentos, já devem encaminhar a situação para o profissional”, recomendou.
Por fim, o profissional em saúde mental fez recomendações sobre a prevenção ao suicídio e outras doenças mentais. “A saúde mental tem que ser tratada antes. Temos que garantir que a criança e o adolescente contem com o básico para seu desenvolvimento, como escola, lazer, segurança, presença dos pais, saúde. E, caso comportamentos diferentes sejam identificados, garantir assistência médica psiquiatra e psicológica nos primeiros”, pontuou.
O programa Conexão Alece (96,7MHz), transmitido também pelo canal da emissora no YouTube, às segundas-feiras, a partir das 8h. A produção é veiculada ainda na TV Assembleia, às segundas-feiras, às 20h30, e fica disponível no podcast da emissora. Basta procurar o canal nas principais plataformas de áudio, como Spotify, Deezer, Apple Podcasts e Google Podcasts.
Assista ao programa na íntegra:
Edição: Lusiana Freire
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