Bancários criticam reestruturação do BB e alertam para prejuizo a clientes
Por ALECE15/12/2016 22:39 | Atualizado há 9 meses
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Bancários, entidades sindicais e de órgãos de defesa do consumidor debateram, na tarde desta quinta-feira (15/12), a reestruturação anunciada pelo Banco do Brasil, que prevê o fechamento de agências em todo o País. Sindicalistas criticaram a forma como foi anunciada a reestruturação do banco, e disseram que as medidas podem lotar ainda mais as agências que permanecerão funcionando.
A audiência foi realizada pela Comissão de Indústria, Comércio, Turismo e Serviço da Assembleia Legislativa, atendendo ao requerimento do deputado Elmano Freitas (PT). O parlamentar explicou que foi procurado por representantes dos trabalhadores da instituição e que há um clima de grande preocupação, principalmente, pelo medo de demissões que poderão ser ocasionadas pelo fechamento das agências. “Não há justificativa para fechar as agência já que o banco dá lucro.”
O superintendente do Banco do Brasil, Duílio Silva, explicou que a instituição está buscando se adaptar ao novo perfil dos clientes, que estariam usando mais a internet e os aplicativos de dispositivos móveis para realizar transações financeiras. Segundo ele, não haverá demissões com a reestruturação, mas uma realocação dos funcionários
Já para presidente do Sindicato dos Bancários do Ceará, Carlos Eduardo Marques, houve falta de transparência do banco, que não teria informado aos funcionários sobre as mudanças. “Nós ficamos sabendo pela televisão que iria haver essa reestruturação”, criticou.
O sindicalista também contestou a distribuição de clientes das agências que serão fechadas, o que deverá lotar ainda mais aquelas que continuarão funcionando.“O banco sempre é multado porque não consegue atender os clientes no tempo determinado por lei”, acrescentou. Em relação aos funcionários que irão permanecer na instituição, Carlos Eduardo Marques destacou que eles precisam de garantias de que não terão diminuição de suas remunerações.
A representante da Federação dos Bancários do Nordeste, Jannayna Pereira, questionou como será o atendimento de pessoas que não têm acesso a tecnologia ou aplicativos para atendimento via internet. “O trabalhador rural não terá como fazer um renegociação”, destacou.
O representante do Decon, Ismael Braz, explicou que os clientes já enfrentam a demora no atendimento e que o fechamento de agências deverá agravar essa situação. Com relação aos atendimentos via internet, Ismael Braz disse que esse serviço deve ser opcional. “Às vezes um idoso tem dificuldade para usar o caixa eletrônico, imagina um aplicativo num celular”, observou.
Ismael Braz informou ainda que, caso o Banco mantenha a decisão de fechar agências no Ceará, o Decon irá entrar com uma ação civil pública para evitar que os consumidores sejam prejudicados.
Também estiveram presentes à audiência pública o representante da Central Única dos Trabalhadores, Magno César, e do Procon, Sérgio Henrique Sales.
JM/CG
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