Importância do Grab para ativismo LGBTQIAPN+ no Ceará é destacada em sessão solene na Alece
Por Pedro Emmanuel Goes10/06/2026 19:55 | Atualizado há 3 horas
Compartilhe esta notícia:
A Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) realizou, na noite desta quarta-feira (10/06), no Plenário 13 de Maio, sessão solene em comemoração aos 37 anos do Grupo de Resistência Asa Branca (Grab), e aos 25 anos da Parada pela Diversidade Sexual do Ceará. Durante a solenidade, solicitada pelos deputados Renato Roseno (Psol) e Larissa Gaspar (PT), foram exaltadas a trajetória do grupo e importância dele para as conquistas da população LGBTQIAPN+ do Ceará.
O Grupo de Resistência Asa Branca é uma organização não governamental sem fins lucrativos e de reconhecida utilidade pública em âmbito municipal que defende a livre orientação sexual e identidade de gênero. A ONG desenvolve ações comunitárias voltadas à população LGBTQIAPN+ nas áreas de cultura, saúde, educação e direitos humanos.
O grupo, que participa do Conselho Municipal de Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (CMPDLGBT), também é responsável pela organização da Parada pela Diversidade Sexual, que, ao longo de 25 anos, tornou-se uma das maiores manifestações culturais do estado.
O deputado Renato Roseno (Psol) enalteceu a existência do GRAB e salientou que “a coisa mais importante sobre os 37 anos do grupo é ele existir”. De acordo com ele, o coletivo tem se dedicado nesse período à denúncia da violência LGBTfóbica que “recusa a saúde, a inserção social e a dignidade à população LGBT”.

Deputado Renato Roseno (Psol) alerta para propostas de retirada de direitos LGBTQIAPN+ em casas legislativas - Foto: Alex Costa
Apesar das conquistas ao longo das décadas, o parlamentar ressaltou as adversidades do momento atual. Segundo Renato Roseno, existem 22 projetos contra os direitos LGBTQUIAPN+ em tramitação no Senado Federal, e mais de 300 em tramitação nas assembleias legislativas de todo o Brasil.
Sobre a Parada pela Diversidade Sexual, o deputado informou que, atualmente, reúne cerca de 1,5 milhão de pessoas anualmente, constituindo um importante momento de manifestação da população LGBTQUIAPN+, além de se configurar como importante destaque entre os eventos de Fortaleza pelos vieses turístico e econômico.
“É um grande evento que reúne exatamente aquilo que nos faz brasileiros, que é ocupar a esfera pública com música, arte, manifestação e reivindicação”, avaliou, reforçando que “política e celebração não são propostas antagônicas”.
Com sua participação realizada por meio de vídeo, a deputada Larissa Gaspar (PT) também ressaltou a importância do Grab enquanto instituição de defesa dos direitos humanos. Para ela, o trabalho realizado pelo grupo tem dado, ao longo de seus 37 anos, fortes contribuições na luta por um Ceará mais justo e igualitário.

Dáry Bezerra, atual presidenta do Grab, destaca compromisso político da Parada pela Diversidade Sexual - Foto: Alex Costa.
A presidenta do Grab, Dáry Bezerra, informou que a Parada pela Diversidade Sexual tem se comprometido cada vez mais com as lutas políticas e sociais do Ceará. O tema deste ano, “25 anos combinando de não morrer”, foi inspirado na célebre frase da linguista e escritora Conceição Evaristo, e se alinha à luta antirracista, fazendo coro às pautas mais urgentes da atualidade.
Ela explicou que a máxima de Conceição Evaristo - “Eles combinaram de nos matar. A gente combinamos de não morrer" - também atinge outras populações que historicamente se encontram no limiar da opressão social. “Isso fica evidente quando analisamos o dado de que a maior parte das vítimas de assassinato, principalmente travestis e transexuais, são pessoas pretas, e é com o combate a esse tipo de estigma que nossa parada está comprometida”, ressaltou
A secretária executiva da Igualdade Racial do Ceará, Martír Silva, também falou sobre a importância desse compromisso assumido pelo Grab. De acordo com ela, a população LGBTQIAPN+, assim como a população negra, sofreu desumanização que perdura até a atualidade. Para ela, os dois grupos são respaldados pela mesma lei, que pune os crimes de racismo, de LGBTfobia e contra outras populações vulneráveis.
Já o coordenador especial da Diversidade de Fortaleza, Narciso Júnior, também destacou algumas ações e programas promovidos pelo Grab que, de acordo com ele, deram subsídios e orientaram aqueles que desejavam se inserir no ativismo LGBTQIAPN+ ao longo de três décadas.
.jpeg)
Coordenador especial da Diversidade de Fortaleza, Narciso Júnior, fala sobre a importância das ações do Grab para população LGBTQUIAPN+ - Foto: Alex Costa
Entre as iniciativas destacadas, ele mencionou projetos de capacitação dessa nos municípios cearenses, além de ações voltadas para a conscientização e prevenção de ISTs e estímulo à instituição de grupos de resistência em outros municípios, como o Flor de Mandacaru, de Caucaia. “O Grab foi uma grande referência, foi onde aprendi a compreender a importância de me organizar politicamente e avançar na minha trajetória”, comentou.
Durante a solenidade, oito personalidade foram homenageadas, entre membros e ex-membros do grupo: Francisco Orlaneudo da Silva, Delson Souza do Nascimento, Felipe Araújo, Dáry Bezerra, Labelle Silva, Elísio de Araújo Loiola, Dediane Souza, e Luiz Palhano Loiola (in memoriam).
A sessão solene contou, também, com as presenças de representantes da Secretaria de Diversidade Sexual do Estado e da diretoria do Grupo de Resistência Asa Branca.
Confira a íntegra da sessão solene:
Edição: Geimison Maia
Veja também