Notícias

Solenidade na Alece reconhece importância da umbanda

Por Guilherme de Andrade
18/11/2024 17:27 | Atualizado há 9 meses

Compartilhe esta notícia:

- Foto: Máximo Moura

A Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) realizou, na tarde desta segunda-feira (18/11), sessão solene para comemorar o Dia Nacional da Umbanda, celebrado em 15 de novembro. O momento atendeu a requerimento da deputada Lia Gomes (PDT) e foi realizado no Plenário 13 de Maio. 

A religião de matriz africana sofre com perseguições, intolerância e outras diversas violações no cotidiano, as quais configuram racismo religioso. De acordo com Lia Gomes, entre janeiro e junho, o canal de denúncias do Ministério dos Direitos Humanos, chamado de Disque 100, registrou um aumento de mais de 80% nas denúncias de intolerância religiosa com relação ao mesmo período de 2023. 

Portanto, a solenidade, além de celebrar o Dia Nacional da Umbanda, teve o intuito de promover ações valorativas que possam reconhecer e valorizar a religião. 

“Uma religião que se predispõe à caridade, à prática da ajuda ao outro e que atualmente está presente em quase todos os continentes. Mas sua prática e seus valores parecem ainda pouco conhecidos ou ignorados quando nos deparamos com os altos números de denúncia de intolerância religiosa”, lamentou Lia.

Durante a sessão, foram homenageadas com certificados as mães Alexandrina Patrícia dos Santos, Aline Cabral Freire, Maria Gardênia D’Iansã, Jéu (Jerucy de OyáGadê), Kelma Luzia Nunes, Kum (Francisca Raimunda dos Santos), Mocinha de Oyá e Rina Márcia Xavier; o Otun Axé Jackson Rodrigues e os pais Beto de Oxóssi (Antônio Humberto de Sousa), Jairo de Ogum Beira Mar (Jairo Honório), Josimar de Tranca Rua (Josimar Alves Torres), Neto Tranca Rua, Thallys do Congo e Valdo de Iansã (José Lopes de Maria). 

 

Foto: Em nome dos homenageados, Mãe Alexandrina Patrícia dos Santos destaca importância da umbanda

 

A Mãe Alexandrina Patrícia dos Santos, a mais velha entre as mães presentes, falou em nome dos homenageados. Ela declarou todo o seu carinho pela umbanda e torceu pelo crescimento da religião. 

“A umbanda para mim é maravilhosa. Sofri um bocado porque a gente sofre, mas, graças a Deus, até hoje estou aqui e só saio dela quando um dia morrer. Eu espero que Oxalá nos ajude, nos dê paz e saúde. Espero que a umbanda cresça muito mais. Eu amo a umbanda de todo o coração”, declarou. 

Secretária da Igualdade Racial do Governo do Estado do Ceará, Zelma Madeira enfatizou a luta por reconhecimento étnico, justiça racial e um modelo de desenvolvimento que inclua todo o povo da umbanda. 

“A tarde de hoje não é para outra coisa senão dizer do reconhecimento. Todas as vezes que a gente reconhece, a gente está praticando a justiça racial. O que esse povo quer é justiça racial, é reconhecimento, é que nós tenhamos um modelo de desenvolvimento que os inclua, porque não vamos ter desenvolvimento enquanto não incluir esses grupos”, afirmou.

Além da deputada Lia Gomes, que também é procuradora Especial da Mulher da Alece, compuseram a mesa Zelma Madeira; a presidente do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial, Lipe Silva; o secretário executivo da Diversidade do Governo do Estado do Ceará e pai pequeno da Casa Mãe Márcia de Luziara, Narciso Júnior; a secretária executiva da Igualdade Racial do Ceará, Martir Silva, e a coordenadora do Centro Estadual de Referência LGBT Tina Rodrigues, Samila Marques.

 

Edição: Clara Guimarães

Veja também