CPCV publica diagnóstico sobre fluxos de cuidado para vítimas de violência armada
Por Ariadne Sousa/ Com assessoria28/03/2025 17:47 | Atualizado há 9 meses
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O Comitê de Prevenção e Combate à Violência (CPCV), órgão permanente da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, divulgou, nesta sexta-feira (28/03), um estudo que analisa a rede especializada de cuidado às vítimas de violência armada.
Intitulada “Cuidando em Rede – Construindo fluxos de cuidado para vítimas de violência armada”, a publicação apresenta conhecimentos gerados a partir do trabalho do Comitê, que tem, desde o ano de 2019, buscado compreender e fortalecer o conceito de rede especializada. Naquele ano, foi lançada a primeira análise feita pelo órgão legislativo, o “Cuidando em Rede: Saberes e Práticas na Atenção às Famílias de Vítimas de Homicídios”.
A metodologia do estudo publicado hoje contou com um instrumento de levantamento de informações, enviado para os serviços que realizam o atendimento de vítimas de violência armada, identificando, assim, novos participantes a partir da técnica de “bola de neve”, por meio da qual um serviço indicava outros serviços para participarem do diagnóstico.
Como resultado, o coordenador do CPCV, Thiago de Holanda, conta que foram identificados 15 serviços que atendem vítimas e familiares de violência armada no Ceará. “Percebemos que os serviços especializados dependem fortemente de uma rede de políticas públicas que enfrenta baixa efetividade dos encaminhamentos”, comenta.
Nesse sentido, Thiago acredita que com o fortalecimento da conexão dos serviços especializados e a formação com a rede extensa, os fluxos de referência e contra-referência entre os serviços possa melhorar, garantindo, assim, uma resposta mais efetiva e integral às necessidades das vítimas.
Ainda segundo o coordenador, um dos principais achados do diagnóstico foi a situação de saúde mental dos profissionais que atuam nesse tipo de atendimento. “Nós percebemos que 51,3% deles apresentam sofrimento psíquico e necessitam de atenção específica em saúde mental. É fundamental priorizar o cuidado de quem cuida, garantindo condições para que esses profissionais possam exercer suas funções com efetividade”, pontua.
Para a pesquisadora do Comitê Ingryd Melyna, o levantamento foi crucial para o fortalecimento de um caminho de cuidado às vítimas da violência armada, identificando lacunas nos fluxos de atendimento e otimizando a comunicação entre os serviços.
Ela ressalta ainda que, para construir o material, foi necessário um trabalho coletivo, realizado entre órgãos da Assembleia Legislativa: Comitê de Prevenção e Combate à Violência; Comissão de Direitos Humanos e Cidadania; Escritório de Direitos Humanos e Assessoria Jurídica Popular Frei Tito de Alencar e Universidade do Parlamento Cearense. O processo foi realizado em parceria ainda com a Defensoria Pública do Ceará, Ministério Público do Ceará, Secretaria Estadual dos Direitos Humanos, Centro de Defesa da Criança e do Adolescente e Comitê Internacional da Cruz Vermelha.
SOBRE O COMITÊ
O Comitê de Prevenção e Combate à Violência (CPCV) iniciou suas atividades em 2016 e a partir de 2019, passou a compor, de forma permanente, o organograma da Assembleia Legislativa.
Atua nas áreas de estudo, debate e mobilização que conta com apoio de diversos atores e instituições, em um esforço interinstitucional pela vida, vinculada à Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará.
Na época da sua instituição, o comitê teve como missão a elaboração de um mapeamento sobre famílias que tiveram adolescentes assassinados em 2015 em sete cidades cearenses: Fortaleza, Juazeiro do Norte, Sobral, Maracanaú, Caucaia, Horizonte e Eusébio.
Formado por uma equipe interdisciplinar, o CPCV tem sociólogos, psicólogos, assistentes sociais, jornalistas, entre outros, que trabalham na perspectiva de compreender as razões que levam os adolescentes a serem vítimas de homicídios. Para isso, são trabalhadas cinco linhas de ação: produção de conhecimento; formação; mobilização social; interiorização; monitoramento das recomendações e incidência política.
Edição: Clara Guimarães
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