Conexão Alece debate a importância da adoção e e entraves no sistema brasileiro
Por Odara Creston18/05/2026 10:47 | Atualizado há 48 minutos
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O Conexão Alece, programa multiplataforma da Alece FM, recebeu, na manhã desta segunda-feira (18/05), o promotor de Justiça Dairton Oliveira e a ativista da causa da adoção Jéssica Hellen para um debate sobre a importância da adoção, os desafios enfrentados por crianças e adolescentes que aguardam por um lar e os entraves que ainda dificultam a efetivação do direito à convivência familiar. Durante a entrevista, os convidados também destacaram a necessidade de maior conscientização da sociedade e de mais agilidade nos processos judiciais ligados à adoção.
Dairton Oliveira é promotor de Justiça da 12ª Promotoria de Defesa da Infância de Fortaleza e é responsável pelo Cadastro Nacional de Adoção, pela Promotoria da Casa da Criança e Casos de Bebês de Entrega Legal. Já Jéssica Helen é atuária formada pela Universidade Federal do Ceará (UFC), presidente do Coletivo de Pais Pretendentes à Adoção (COPPA), ativista da causa da adoção e mãe por adoção de duas meninas, de 6 e 12 anos. Ela atua na conscientização sobre o direito de crianças e adolescentes à convivência familiar.
O promotor destacou a contradição entre o número de pretendentes à adoção e o de crianças aptas a serem adotadas. Segundo ele, a lentidão do sistema judiciário é um dos principais entraves. “Processos de destituição do poder familiar que deveriam levar meses chegam a durar anos, fazendo com que crianças envelheçam nos abrigos”, comentou. Dairton explicou que, a cada três anos, os pretendentes precisam se recadastrar. Esse processo gera uma perda de 60% das intenções de adoção devido ao cansaço e à burocracia.
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Jéssica Hellen. Foto: Dário Gabriel
Bebês em abrigos perdem cerca de 600 mil conexões neurais por dia por falta de afeto e estímulo individualizado, como apresentou Jessica Helen. Ela compartilhou sua experiência com a filha mais velha de 12 anos: “No começo, ela não nos respondia direito, abaixava a cabeça, não nos olhava, se escondia e só se comunicava por gestos. Mas, hoje, ela é uma menina que se expressa e se permite. Foi o amor que a transformou”, relatou.
Dairton relatou que bebês em abrigos param de chorar após alguns dias porque percebem que ninguém virá atendê-los, desenvolvendo uma apatia profunda. “Quanto mais tempo essas crianças passam em orfanatos, mais isso as afetará, especialmente em relação à saúde mental”, afirmou.
Os entrevistados também discutiram a ideia equivocada de que o sistema de adoção enfrenta dificuldades apenas por causa das exigências dos pretendentes. Segundo eles, quando crianças mais velhas ou com deficiência são apresentadas de forma mais humanizada, o interesse pela adoção cresce significativamente. “Teve um caso em que foi apresentado um vídeo de cinco irmãos, em Pernambuco, de forma humanizada, que gerou interesse de 300 pretendentes”, contou Jéssica.
Eles expuseram que a adoção tardia e especial “pode e deve” ser uma realidade. Jéssica adotou duas meninas, de 6 e 12 anos, sendo a mais velha autista. “Falo muito sobre minha experiência para provar que diagnósticos e idade não são impeditivos quando há conexão”, expressou a ativista.
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Dairton Oliveira. Foto: Dário Gabriel
Dairton expôs que, no Ceará, oito em cada dez adoções ocorrem fora da fila legal. “Adoções informais alimentam o tráfico de crianças e não oferecem segurança jurídica ou proteção contra abusos. O processo legal começa com um pré-cadastro no Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA) do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e segue-se uma avaliação documental, curso de preparação e sindicância com visitas e entrevistas”, explicou.
Jessica ainda comentou a importância de grupos como o Coletivo de Pais e Pretendentes à Adoção (COPPA) e o Acalanto ao trabalharem lado a lado com as crianças e aqueles que pretendem adotar um filho. “O lema do COPPA é ‘Se nenhum é nosso filho, então todos são’, por isso nosso trabalho não pode parar”, concluiu.
O promotor acrescentou que estes grupos e outros oferecem suporte emocional e lutam pela celeridade dos processos adotivos. “A adoção é uma responsabilidade de toda a sociedade, não apenas de quem deseja adotar”, expressou.
Assista à entrevista completa no canal da Alece FM no YouTube ou no Alece Play:
SERVIÇO
Produzido por Kássia Braga e apresentado por Kézya Diniz, o Conexão Alece pode ser acessado no Alece Play. A novidade já pode ser baixada no Google Play, em celulares Android, ou acessada pelo navegador no celular, tablet, computador e smart TV.
O programa vai ao ar às segundas-feiras, na Alece FM e no YouTube, a partir das 8h, com reprises na Alece TV às 20h30. Além disso, fica disponível em formato de podcast nas principais plataformas de áudio: Spotify, Deezer e Apple Podcasts.
Edição: Vandecy Dourado
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