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Impacto do plano de reestruturação dos Correios é debatido em audiência pública na Alece

Por Pedro Emmanuel Goes
03/07/2026 16:04 | Atualizado há 2 horas

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Impacto do plano de reestruturação dos Correios é debatido em audiência pública na Alece - Foto: Máximo Moura

As consequências do plano de recuperação dos Correios, anunciado pelo atual presidente da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), Emmanoel Rondon, no final de 2025, foram tema de debate em audiência pública, promovida pela Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público (CTASP) da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), na tarde desta sexta-feira (03/07). 

A audiência, solicitada pelo deputado Renato Roseno (Psol), teve como objetivo fazer um levantamento dos prejuízos obtidos desde a implementação do plano que tem, entre suas diretrizes, o fechamento de mil agências e a demissão de 15 mil funcionários até 2027.

O secretário-geral da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (FENTECT), Emerson Marinho, destacou a importância do serviço prestado pelos Correios para a sociedade brasileira, especialmente nas localidades onde a presença do Estado brasileiro é limitada. 

O secretário-geral da FENTECT, Emerson Marinho, ressaltou o papel social dos Correios. Foto: Máximo Moura

Para ele, é fundamental ampliar esse debate diante da proposta de reestruturação apresentada pela nova direção da empresa, que, na avaliação da categoria, pode reduzir significativamente os serviços prestados à população, como emissão de documentos, passaportes e outros atendimentos essenciais.

O papel social e estratégico da empresa também foi reforçado pelo dirigente. De acordo com Emerson Marinho, “os Correios foram criados para servir à população brasileira, tendo como principal missão a prestação de serviços públicos, e não a obtenção de lucro. É imprescindível que o Governo Federal reconheça essa função essencial e preserve a capacidade da empresa de atender à sociedade, sobretudo nas regiões mais distantes do País”. 

Até 2027, os Correios farão dois planos de demissão voluntária (PDVs) para reduzir o número de funcionários em 15 mil. A reestruturação da empresa prevê cortes de despesas na ordem de R$ 5 bilhões até 2028, com venda de imóveis e demissões, conforme observou a representante do Sindicato dos Trabalhadores em Correios, Telégrafos e Similares, Maria de Lourdes Paz. Outros alvos da direção dos Correios são os planos de saúde e de previdência dos servidores, que devem ter cortes nos aportes feitos pela estatal.

A representante dos trabalhadores dos Correios, Maria de Lourdes, comentou os prejuízos com o fechamento das agências. Foto: Máximo Moura

Sobre a situação do Ceará, Maria de Lourdes explicou que a agência dos Correios da Parangaba, que, de acordo com ela, atende metade da população de Fortaleza, seria fechada hoje não fosse a pressão dos funcionários. Ela informou também que as agências da Aldeota e Francisco Sá já têm previsão de fechar, enquanto a que se localiza na avenida Barão de Studart já fechou. Nos municípios, ela comunicou o encerramento das atividades da agência de Canoa Quebrada, no município de Aracati. 

“Aqui em Fortaleza só vai ficar a Agência Central. Nos municípios, estão colocando todo o serviço nas mãos das prefeituras, o que vai prejudicar o sigilo das correspondências e precarizar o atendimento, já que os postos de trabalho serão reduzidos nas agências que se mantiverem em funcionamento”, disse. 

O professor Augusto Monteiro, secretário de Política Sindical da Intersindical, sugeriu que esse “sucateamento é um processo de privatização velado”. Ele considerou que o presidente Luís Inácio Lula da Silva retirou a empresa da lista de privatizações, mas a ausência de investimentos e o modelo de reestruturação apresentado denunciam uma abertura para privatizações. 

O secretário de Política Sindical, Augusto Moreira, criticou o plano de reestruturação da empresa estatal. Foto: Máximo Moura

Ele também reforçou que a defesa dos Correios enquanto empresa pública, com investimento e valorização por parte do Governo Federal, é defender a sociedade brasileira e a soberania nacional. 

A audiência seguiu com a participação do secretário de Relações Internacionais do FENTECT, Rogério Ferreira; do coordenador do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador - Ceará (CEREST), Bonavides de Souza; e do carteiro e representante do Centro de Distribuição dos Correios de Maracanaú, Marcílio Farias. 

Assista à audiência pública na íntegra:

Edição: Vandecy Dourado

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