Desafios dos consórcios de manejo de resíduos sólidos são tema de audiência pública na Alece
Por Vanessa Madeira23/06/2023 13:18 | Atualizado há 9 meses
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Os consórcios de manejo de resíduos sólidos do Ceará foram tema de audiência pública realizada nesta sexta-feira (23/06) pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento do Semiárido da Assembleia Legislativa do Ceará. O debate reuniu representantes dos 21 consórcios existentes no Estado, órgãos públicos, movimentos de catadores de materiais recicláveis e entidades da sociedade civil, para avaliar os avanços e desafios dessas instituições.
Ao todo, 171 dos 184 municípios cearenses formaram consórcios para realizar a gestão de resíduos sólidos, com foco especial na eliminação dos lixões a céu aberto, meta prevista no Plano Nacional de Resíduos Sólidos e que deve ser atingida até 2024.
No entanto, para o vice-presidente da Comissão de Meio Ambiente, deputado Renato Roseno, ainda há gargalos para a efetivação desse trabalho. “Lamentavelmente a imagem que nos atravessa é a do lixão nas entradas das cidades do Ceará. A floresta de sacos plásticos, sobretudo nos meses em que as árvores perdem folhas, é uma das cenas mais terríveis para nós que sabemos que plásticos não destinados adequadamente vão ficar centenas de anos no ambiente”, afirmou, destacando a importância da discussão.
Elano Damasceno, presidente da Associação das Gestões Ambientais Locais do Estado do Ceará (Agace), pontuou que a formação de consórcios é, atualmente, o único caminho viável para a gestão de resíduos sólidos, mas ressaltou que as prefeituras do Ceará precisam promover condições para que as instituições atuem.
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Foto: Bia Medeiros
“É um desafio cultural. Muitas vezes, os consórcios chegam aos municípios e somos vistos com olhos de esgueira, porque não se entende que o consórcio não é contraditório ao município, é uma extensão. É a única possibilidade que temos de efetivar a política pública ambiental”, defendeu.
Representando a Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece), Daniel Camurça disse que a entidade está se reunindo com prefeitos e ampliando o diálogo no sentido de viabilizar a operação dos consórcios.
“Temos que trazer a ideia de que o trabalho do consórcio tem que ser técnico. Os prefeitos têm sua colaboração, mas o superintendente do consórcio precisa ter liberdade técnica. O município sozinho não consegue gerir seu lixo. É caro, trabalhoso, difícil. Mas junto a um consórcio, ele pode”, avaliou.
O presidente da Rede de Catadores do Ceará, Cícero Souza, também salientou a necessidade de inserir os catadores de materiais recicláveis na política de gestão de resíduos para que, juntamente aos consórcios e outros órgãos responsáveis, o Ceará atinja a meta de zerar os lixões. “Precisamos ser vistos como atores profissionais que devem ser contratados pelos serviços prestados”, afirmou.
Sobre a eliminação dos lixões, o promotor de Justiça Thiago Vieira, presente no debate, alertou os municípios de que o Ministério Público do Estado do Ceará deve adotar medidas mais rígidas para a execução dos pontos estabelecidos do Plano Nacional de Gestão de Resíduos Sólidos.
“A tendência é sair do viés da fiscalização para o acordo de não persecução penal. Essa foi a chave que alguns estados encontraram e que fez haver mudança rápida”, disse.
Entre os encaminhamentos da audiência pública estão a articulação de reuniões com os 21 superintendentes dos consórcios de resíduos sólidos do Ceará, a revisão dos Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) firmados entre prefeitos e o Ministério Público para o fim dos lixões no Estado, a construção de galpões para catadores de materiais recicláveis e a atração de empresas de reciclagem para o Ceará.
Também participaram de debate o secretário executivo de Meio Ambiente do Ceará, Gustavo Vicentino; o presidente do Sindicato das Empresas Recicladoras e Transformadoras do Ceará (Sindiverde), Marcos Augusto Nogueira; Rosana Garjulli, do Conselho de Altos Estudos e Assuntos Estratégicos da Alece; Andréa Monteiro, superintendente do Instituto Chico Mendes, e Jackes Araújo, presidente da Comissão de Estudos para a Sustentabilidade, ESG e Empreendedorismo da OAB Ceará.
Edição: Adriana Thomasi
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