Dificuldade de acesso à água no Interior é debatida em audiência
Por ALECE29/06/2015 23:25 | Atualizado há 9 meses
Compartilhe esta notícia:
Movimentos sociais, parlamentares, universidades e Poder Público debateram, em audiência pública na tarde desta segunda-feira (29/06), a situação de municípios cearenses que enfrentam dificuldade de acesso à água. O evento ocorreu na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento do Semiárido da AL, que é presidida pela deputada Dra. Silvana (PMDB).
Para o deputado Renato Roseno (Psol), que propôs a audiência, a situação é preocupante. Ele citou que, ao fim da quadra chuvosa, os reservatórios do Estado ficaram com 19,5% de acúmulo de água, segundo dados da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh). “Entendemos que há um problema de estiagem, mas também de gestão. Temos que ter prioridade, que é, sobretudo, o abastecimento humano. De que adianta crescer a economia do Estado se as pessoas não têm acesso à água?”, indagou o parlamentar.
O município de Jaguaribara é um dos que sofrem com a estiagem, principalmente agora, com a morte de mais de 2 mil toneladas de peixes no açude Castanhão. Segundo o prefeito do município, Francini Guedes, a piscicultura em Jaguaribara foi incentivada pelo Governo do Estado, beneficiando duas mil famílias. Com a morte dos peixes, foram gerados prejuízos em torno de R$ 13 milhões, de acordo com o prefeito. “As famílias estão devendo ao Banco do Nordeste e Banco do Brasil. É grande a revolta da população. A pobreza invadiu o município de Jaguaribara”, lamentou Guedes.
Representando o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Lurdes Vicente disse que o Governo está promovendo a “privatização da água”, sobretudo para atender a demanda gerada pelo agronegócio. “Setenta por cento da água é destinada à irrigação. Como o Governo comemora as exportações de frutas, enquanto no Interior, o povo conta com migalhas de carro-pipa, os animais estão morrendo e 50% da produção está perdida porque não tem acesso à água?”, criticou. Alessandro Lopes Nunes, do Fórum Cearense pela Vida no Semiárido, rebateu a ideia de que a gestão das águas no Ceará é a mais sustentável do Brasil. “O que estamos vivenciando agora desconstrói essa ideia exitosa de gestão e planejamento das águas do Ceará”, pontuou.
O professor Alexandre Araújo Costa, da Universidade Estadual do Ceará, destacou que a crise hídrica é considerada global. “A humanidade consome mais água que a terra é capaz de repor”. O professor defendeu que o crescimento de indústrias e geração de emprego e renda ocorram de forma sustentável. “A água não pode ir mais para o capital. Infelizmente, a maior parte que do a Cogerh tem feito segue a lógica do agronegócio, de grandes indústrias como a principal demanda de água”, criticou.
Representando a Secretaria dos Recursos Hídricos do Estado, o diretor de planejamento da Cogerh, Ubirajara Patrício, informou que a Cogerh tem de atender a demanda de diversos usos da água, como indústrias, irrigação e pequenos produtores. Ele defendeu que não há irregularidades na gestão da distribuição da água no Estado e reconheceu que há concentração em determinadas áreas por causa de obras. “Mas abastecimento humano é prioridade”, garantiu. Ainda segundo Ubirajara, a maior demanda de água ainda é da Região Metropolitana de Fortaleza, que consome 13m³ de água por segundo.
Também participaram do debate a deputada Dra. Silvana; o professor Diego Gadelha, do Instituto Federal de Educação Tecnológica (IFCE) de Aracati; Cássio Borges, engenheiro do Dnocs; o professor Rafael Dias, do Núcleo de Trabalho, Meio Ambiente da Universidade Federal do Ceará (UFC), e Raimundo Menezes, representando a Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA).
LF/CG
Veja também