Notícias

Evandro Teixeira relembra fatos de meio século no batente do fotojornalismo

Por ALECE
23/05/2012 22:54 | Atualizado há 9 meses

Compartilhe esta notícia:

Evandro Teixeira


Um fotógrafo cheio de histórias para contar. Assim pode ser definido o baiano Evandro Teixeira. Com mais de 50 anos trabalhando para os principais veículos de comunicação do Brasil, ele foi testemunha ocular e registrou, por meio de suas lentes, desde desfiles de escolas de samba aos velórios dos generais da ditadura; de casamentos de anônimos aos sobreviventes de Canudos.

Alguns desses fatos que marcaram por meio de fotografias a história brasileira foram relembrados por ele, nesta quarta-feira (23/05) à noite, em um descontraído bate-papo, no Centro Cultural do Parlamento (CCP), que funciona no novo prédio da AL. Os trabalhos de Evandro integram a exposição “Fotojornalismo, da promessa do real à autonomia simbólica”. A mostra segue em cartaz no quinto andar do edifício José Euclides Ferreira Gomes.

Antes da conversa, Evandro conferiu a exposição e elogiou o espaço. “Fiquei bastante surpreso. Não imaginava encontrar um local como esse, dedicado à fotografia, em um prédio público”, comentou. 

Fotos tiradas por ele, pontuaram a palestra. Além de testemunhar os principais fatos históricos do País e do mundo, Evandro acompanhou as transformações pelas quais passaram a arte de fotografar. Baiano de Jequié, quando menino, improvisava um cinema com uma caixa de papelão e exibia filmes trazidos de Salvador. Na adolescência, considerou a ideia de ser escultor, mas ao ver uma série de fotografias em uma edição da revista O Cruzeiro, Evandro descobriu que seria fotógrafo.

Começou a carreira no Rio de Janeiro, em 1958, no jornal Diário da Noite. Em 1962, Evandro foi convidado a trabalhar no Jornal do Brasil. Entre os casos que marcaram sua carreira, está o registro exclusivo da morte do poeta chileno Pablo Neruda. Por conhecer Matilde, mulher de Neruda, Teixeira foi o único a fotografar o corpo do poeta.

Outro momento marcante de sua carreira foi a cobertura da Passeata dos Cem Mil, que deu origem ao livro "68 Destinos", reunindo entrevistas com 100 pessoas identificadas na antológica fotografia tirada em 1968, no Rio.

A exposição “Fotojornalismo, da promessa do real à autonomia simbólica” traz uma mostra inédita de cinco dos mais importantes fotógrafos do jornalismo brasileiro, contando com Evandro, que são: Celso Oliveira, Juca Martins, Marcel Gautherot e Orlando Brito. São 100 fotografias tiradas para revistas e jornais brasileiros, oferecendo uma reflexão sobre o fotojornalismo e sua função, principalmente, durante os anos de chumbo no Brasil.

As fotos expostas pertencem ao acervo particular do colecionador Silvio Frota e a curadoria é assinada por uma equipe multidisciplinar formada pelo sociólogo Paulo Linhares, pelo fotógrafo Celso Oliveira, pela jornalista Isabel Andrade e pelo historiador Humberto Pinheiro.
CP

Veja também