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Projeto Memória Oral ouve relatos sobre Movimento de Anistia no Ceará

Por ALECE
08/05/2014 14:58 | Atualizado há 9 meses

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Memoria Oral na ALCE - Foto: Paulo Rocha

O Movimento de Anistia no Ceará foi o tema do quinto encontro do projeto Memória Oral por Verdade e Justiça, realizado na manhã desta quinta-feira (08/05), no Auditório Murilo Aguiar, da Assembleia Legislativa. Na ocasião, foram ouvidos os relatos da fundadora e presidente do Movimento Feminino pela Anistia (MFPA/CE) e irmã de Frei Tito de Alencar, Nildes Alencar; da esposa de ex-preso político e também integrante do MFPA/CE Josenilde Cunha e do ex-deputado estadual e federal do MDB Iranildo Pereira. O projeto é uma iniciativa do Instituto de Estudos e Pesquisas sobre o Desenvolvimento do Ceará (Inesp) e da Associação Anistia 64/68.

Nildes Alencar destacou a significância de um movimento nascido no período forte da ditadura e de repressão e ressaltou as dificuldades encontradas para a realização dos encontros.

“É importante mostrarmos historicamente que as coisas não eram simples naquela época, muito pelo contrário, porque éramos poucas mulheres enfrentando um conceito mantido e implantado pela ditadura, enfrentando limitações financeiras, de espaços para os encontros e com a Polícia Federal acompanhando todos os nossos passos”, relatou Nildes Alencar.

Ainda para a presidente do MFPA/CE, “as integrantes do movimento não tinham ideologias partidárias, mas tinham irmãos mortos, banidos e presos, e só queriam a paz no País, o que não foi fácil de alcançar”.

Josenilde Cunha apresentou, durante o seu relato, o convite do primeiro encontro do MFPA/CE em Fortaleza, realizado no dia 15 de março de 1975, com a presença da fundadora e líder do Movimento Feminino pela Anistia, Therezinha Zerbini.

“Foi a primeira atividade do grupo de anistia em Fortaleza, e foi um momento muito importante, porque marcou o início do movimento feminino pela anistia e o surgimento de um olhar diferenciado para a questão, com um pouco de esperança de que iríamos fazer alguma coisa, então nos agarramos com unhas e dentes a esse movimento”, relatou Josenilde Cunha.

O encontro “Memória Oral por Verdade e Justiça” acontece todas as quintas-feiras, no Auditório Murilo Aguiar da Assembleia Legislativa, a partir das 8h, com a mediação do jornalista Paulo Verlaine.

Durante os encontros, são debatidos temas e colhidos depoimentos de pessoas que tenham sido protagonistas dos acontecimentos, contemplando os diversos períodos da ditadura, movimentos e áreas de atuação. Ao final, será produzido um documentário com o objetivo de resgatar e registrar os fatos ocorridos durante a Ditadura Militar, constituindo-se num documento para as próximas gerações.
RG/CG

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