Professora Zuleide lembra dez anos da Chacina do Curió
Por Narla Lopes12/11/2025 11:23 | Atualizado há 4 meses
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A deputada Professora Zuleide (Psol) lembrou, durante o primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) desta quarta-feira (12/11), os dez anos da Chacina do Curió, ocorrida em novembro de 2015.
A parlamentar ressaltou a importância de manter viva a memória sobre o caso. “O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) fez recentemente uma memória sobre os acontecimentos de 11 de novembro de 2015. É fundamental fazer esse registro, para que as mães, os pais, os familiares e amigos desses jovens que tiveram suas vidas ceifadas possam ser lembrados”, afirmou.
Ela destacou ainda a realização, nesta quarta-feira, de audiência pública na Alece, às 14h, para debater a política de segurança pública. “Essa audiência faz parte da Semana Cada Vida Importa, aprovada por esta Casa, e ocorre dentro do Novembro Negro, o que não é coincidência, pois a maioria das vítimas era composta por corpos negros”, observou.
Segundo a deputada, a atuação do Ministério Público resultou, após dez anos, na condenação de oito réus em cinco julgamentos. “Na noite daquela quarta-feira e na madrugada de quinta, policiais militares participaram de homicídios e torturas em ruas da região, resultando em várias mortes. O episódio ficou conhecido como Chacina do Curió. Os agentes buscavam vingar a morte de um colega durante um latrocínio ocorrido horas antes”, relatou.
Professora Zuleide lembrou que os crimes denunciados envolveram 11 homicídios duplamente qualificados consumados, três tentativas de homicídio e casos de tortura física e psicológica. Ela reconheceu o papel de entidades e organizações da sociedade civil que lutaram por justiça, destacando o Movimento Mães do Curió, o Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca Ceará), o Escritório Frei Tito de Alencar da Alece, as comissões de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Fortaleza e da Alece e a Rede Acolhe, da Defensoria Pública do Estado.
Durante o pronunciamento, a parlamentar também citou os nomes e idades das vítimas, prestando homenagem à memória de cada uma delas.
Zuleide defendeu a ampliação dos debates sobre segurança pública. “Esta Casa precisa refletir mais sobre o papel do Estado. A violência deve ser compreendida em suas dimensões raciais, de gênero, etárias, socioeconômicas e territoriais. Entre a coerção e a política, acreditamos que é pela política que podemos, de fato, superar a violência no Ceará”, avaliou.
Edição: Lusiana Freire
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