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Larissa Gaspar aponta degradação da Chapada do Araripe e cobra ações de conservação

Por Gleydson Silva
10/02/2026 11:00 | Atualizado há 1 mês

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Deputada Larissa Gaspar (PT) - Foto: Júnior Pio

A deputada Larissa Gaspar (PT) cobrou, durante o primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), nesta terça-feira (10/02), ações urgentes de conservação na Chapada do Araripe, em decorrência do acelerado processo de degradação e avanço de áreas agrícolas. 

Para a 2ª vice-presidente da Alece, a Chapada do Araripe não é apenas um território, mas um sistema vivo que sustenta toda uma região. “É berço de nascentes, reguladora do clima, guardiã de uma biodiversidade única e patrimônio paleontológico de relevância mundial. Tanto que está em processo de reconhecimento como Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco”, ressaltou.

Na avaliação de Larissa Gaspar, a Chapada está em ameaça real e constante, ocupando atualmente a terceira posição entre as unidades de conservação mais devastadas no Brasil. “Isso não acontece por acaso. Isso é resultado da omissão do poder público, de fiscalização insuficiente, de fragilidade institucional e de um modelo de desenvolvimento que insiste em tratar o meio ambiente como obstáculo e não como condição para o futuro”, pontuou.

Nos últimos meses, conforme a deputada, a expansão agrícola na Chapada do Araripe avança, com o anúncio de aquisições de grandes extensões de terra por produtores rurais de fora do Ceará, principalmente de empresários mato-grossenses. “Há registro de compras que somam milhares de hectares, com destaque para a produção de soja, algodão e outras monoculturas. Estimativas apontam que a área cultivada chegue a 100 mil hectares nos próximos anos. Estamos falando de uma expansão acelerada, em larga escala, dentro de uma região ambientalmente sensível, estratégica para os recursos hídricos do Ceará e do Nordeste”, alertou.

Larissa Gaspar ponderou, no entanto, que seu alerta não se trata de oposição à produção agrícola, mas de questionar onde, como e sob quais regras essa expansão está acontecendo. “Desenvolvimento sem planejamento é devastação. E crescimento econômico sem limites ambientais cobra um preço alto, e sempre dos mais pobres”, disse.

Nesse sentido, a parlamentar cobrou a urgência de uma fiscalização efetiva, acompanhamento social e controle público rigoroso em qualquer processo de expansão produtiva na Chapada do Araripe. “Onde o Estado se ausenta, o dano ambiental avança”, refletiu.

Edição: Vandecy Dourado

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