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Antonio Carlos destaca estudo do Ipea sobre racismo no Brasil e cobra solução

Por ALECE
18/10/2013 15:22 | Atualizado há 9 meses

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Dep. Antonio Carlos (PT) - Foto: Paulo Rocha

No primeiro expediente da sessão plenária desta sexta-feira (18/10), o deputado Antonio Carlos (PT) ressaltou a matéria do jornal O Povo acerca de um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre racismo no Brasil. A pesquisa aponta que jovens negros têm risco de assassinato 3,7 vezes maior que brancos. “Isso é resultado de uma forma absurda e racista que a nossa sociedade se estruturou. É preciso mudar esse comportamento”, disse. O parlamentar esclareceu ainda que a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, negou suposta declaração atribuída a ela criticando militar que evitou um assalto em São Paulo.

Antonio Carlos ressaltou que o estudo intitulado “Segurança pública e racismo institucional”, que integra o boletim de análise político-institucional do Ipea, analisa que ser negro corresponde a uma população de risco. “Segundo o levantamento, além de existir racismo institucional no País, existe ainda racismo nas ações da Polícia”, afirmou.

O deputado salientou também que, a cada três assassinatos, dois são de negros. “Esses índices nos mostram que as pessoas negras são tratadas como segunda classe. Isso é um absurdo. Precisamos debater mais esse assunto para reverter essa situação”, apontou.

Antonio Carlos, ainda durante seu discurso, disse que a internet é um espaço democrático, mas que deve respeitar a Constituição e os indivíduos. “Sou a favor da liberdade de imprensa, mas não podemos tecer mentiras sobre as pessoas pela internet e não esperar punição”, disse.

O deputado citou como exemplo o caso da ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, que teve falsas declarações atribuídas a ela em um blog. “O ministro da Justiça determinou à Polícia Federal que instaure inquérito para apurar o fato. O pedido de apuração foi feito pela própria Maria do Rosário, já que o autor do blog cometeu um ato criminoso ao atribuir falsas declarações a ela”, afirmou. Antonio Carlos rebateu assim pronunciamento feito anteriormente pelo deputado Fernando Hugo, em que criticou a ministra pela suposta declaração.

Em aparte, a deputada Rachel Marques (PT) parabenizou o orador, na abordagem sobre o estudo do Ipea, e ressaltou a importância de debater o extermínio da juventude negra e o racismo. “Precisamos envolver a sociedade civil e os poderes públicos para enfrentarmos essa grave situação”, frisou.

A parlamentar destacou o programa “Juventude Viva”, do Governo Federal, como uma resposta aos problemas de racismo no Brasil. “Os programas desenvolvidos para minimizar essa situação, além de investimentos em segurança e educação, ajudam a enfrentarmos esse problema”, pontuou.

A deputada Eliane Novais (PSB) solicitou uma audiência pública para reforçar, no Ceará, o debate contra o racismo. “Esse assunto deve estar sempre na pauta das audiências e sessões plenárias. Devemos enriquecer esse debate”, disse.
GM/CG

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