Carlos Matos avalia desempenho da economia do Ceará
Por ALECE15/09/2015 15:36 | Atualizado há 10 meses
Compartilhe esta notícia:
O deputado Carlos Matos (PSDB) avaliou, durante o primeiro expediente da sessão plenária desta terça-feira (15/09), o desempenho da economia do Ceará. De acordo com o parlamentar, há muito para preocupar, porque, no último semestre, o Estado conseguiu ser pior do que o Brasil. “Enquanto o PIB do País encolheu 2,6%, o Ceará teve o dobro do desempenho negativo, 5,2%. Isso mostra que as nossas políticas econômicas precisam ser revistas”.
O parlamentar frisou que o investimento público do Ceará foi motivo de “orgulho”, por ter sido o 4º maior do País, nos últimos anos. “Mas para onde foi esse investimento”? perguntou Carlos Matos, lembrando que foram gastos recursos com obras inconclusas ou não realizadas, como a refinaria e o aquário.
De acordo o deputado, houve um tempo em que o Ceará mendigava recursos do Governo Federal. Agora, em decorrência da crise, o Estado volta a mendigar. “Na saúde, o Governo conseguiu só R$ 40 milhões, quando precisava de R$ 400 milhões. E a indústria voltou ao patamar de 1996, apesar de 21,6% ser gerado pelo setor industrial”.
Carlos Matos disse que o Nordeste registrou um decréscimo de 4% na indústria, enquanto o Ceará encolheu, nos últimos 12 meses, 13,7%, uma vez e meia as perdas do Brasil e mais de três vezes as do Nordeste. “Precisamos evitar que a febre vire pneumonia. Precisamos de políticas para reverter isso”, afirmou.
Segundo o parlamentar, a Assembleia Legislativa aprovou, “vergonhosamente”, o fim do Fundo de Inovação Tecnológica. “Por incompetência do Governo anterior, os recursos do fundo não foram gastos com a rubrica e foram disponibilizados para a Secretaria da Fazenda, para o custeio da máquina. Estamos no 9º mês do atual Governo e esse equívoco não foi resolvido”, assinalou.
Para sair da crise, segundo o deputado tucano, é necessário investir em educação de qualidade. “A Coreia do Sul resolveu seus problemas em 14 anos. Mas temos uma educação que não é comparável a nenhuma nação. O Brasil tem um quinto da produtividade dos Estados Unidos, e o Ceará é a metade da do Brasil, por conta da baixa qualificação. Temos uma evasão enorme no ensino médio”, pontuou.
Por conta dos precários índices da educação, a situação econômica e social se agrava, acrescentou Carlos Matos. “Somos o terceiro estado do Brasil com uma geração que não trabalha e não estuda. A taxa de homicídio no Ceará é cinco vezes maior do que a de São Paulo, porque os jovens estão indo para as drogas e para o mundo do crime. Foram feitos investimentos em prédios de 100 escolas técnicas, mas prédios não mudam a formação de gente”, afirmou.
Em aparte, o deputado Capitão Wagner (PR) disse que a queda do PIB tem gerado problemas não só na indústria, mas provocou um choque grande no desemprego. “É preciso adotar medidas de austeridade, como foi feito no Tribunal de Justiça. A licitação da locação de veículos pelo Judiciário reduziu pela metade do preço os gastos.”
O deputado Evandro Leitão (PDT), líder do Governo na Assembleia, disse que a redução do PIB se deu em abril, maio e junho. “Mas estamos comparando com o segundo semestre no ano passado, quanto estávamos em período pré-Copa do Mundo e houve aumento substancial do turismo e serviços no Estado. É natural a queda do PIB em relação ao ano passado”, avaliou.
JS/AT
Veja também