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Joaquim Noronha analisa impacto das medidas tomadas pelo Governo Federal

Por ALECE
15/09/2015 16:54 | Atualizado há 10 meses

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Dep. Joaquim Noronha ( PP ) Dep. Joaquim Noronha ( PP ) - foto: Máximo Moura

O deputado Joaquim Noronha (PP) fez uma reflexão, nesta terça-feira (15/09), sobre as medidas tomadas ontem como parte do pacote de ajuste fiscal pelo Governo Federal e criticou a atuação do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. “Ajuste fiscal não é bem o que estão fazendo, mas a criação e aumento de novos impostos”, avaliou.

Na avaliação do deputado, o ministro cometeu um erro gravíssimo ao preparar um plano orçamentário com déficit negativo e enviar ao Congresso Nacional. “Eu nunca vi um país desenvolvido, de primeiro mundo, de economia crescente, mandar um orçamento futuro com déficit. Países desenvolvidos, mesmo sem acreditar que as contas são as mais saudáveis, fazem provisionamento onde eles irão atacar, para justamente não enviar aos congressos orçamentos negativos”, explicou.

O parlamentar disse que as medidas de austeridade tiveram não só repercussão política perante o Congresso, com o envio do orçamento com déficit, mas também geraram impacto no mercado financeiro. “Eles só pensaram na repercussão política, de se fazer de vítima para aprovar seus pleitos, mas esqueceram do prejuízo no mercado financeiro, que é justamente quando o mercado olha para o país que vai ter prejuízos nas suas contas, ele coloca o pé atrás. Ninguém quer investir num país que está no vermelho”, afirmou. Segundo ele, mais de 30 empresas brasileiras perderam grau de investimento.

Joaquim Noronha acredita que outras medidas poderiam ter sido tomadas, como a diminuição de ministérios. “Tem ministérios que podem ser juntados. São 39 e acho que eles reduziriam facilmente para 29”, propôs. A reforma da Previdência poderia ter sido outro ponto adotado como forma de gerar ganhos para o Governo Federal, segundo ele. “A própria dívida ativa. Em nenhum momento o ministro, e ninguém do Governo Federal,  citou os recursos e valores que o Governo tem na dívida ativa e nem mesmo em fase administrativa, em que podem ser colocadas para dentro dos caixas do Governo Federal. Eles preferiram ir por um caminho mais duro para a população, que é a criação e o aumento de impostos”, lamentou.

Em aparte, o deputado João Jaime (DEM) endossou o discurso, mas acrescentou que o que Governo Federal está fazendo não é ajuste fiscal, “mas um remendo para ultrapassar o ano de 2016”. O parlamentar chamou a atenção para mudanças estruturais que não foram feitas, como a da Previdência Social, que demanda, segundo ele, R$ 500 bilhões por ano. “É muito dinheiro. Não há nação que consiga ter uma Previdência onde você aposenta uma pessoa sem nenhum mês de contribuição”, mencionou.

O deputado Walter Cavalcante (PMDB) parabenizou a abordagem do assunto, endossando as críticas quanto ao envio do orçamento em déficit, o que espantou o investidor. “Esse é momento de o próprio governo dar a resposta, tirando da própria carne”, disse.

O deputado Roberto Mesquita (PV) disse que há mais de duas décadas não se atacava a economia como está sendo feito hoje. “É porque a economia influi em tudo. Por onde andamos somos afetados pela palavra perversa, que é a tal de crise. Mas crise é da falta de governo que o povo elegeu. Digo isso para que a presidente (Dilma) assuma a função para a qual foi eleita”, disse. Para o parlamentar, é preciso que haja credibilidade, palavra que, segundo ele, está em falta no País.

LS/JU

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