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Renato Roseno comenta cenário antes do golpe militar de 1964

Por ALECE
27/03/2019 16:12 | Atualizado há 10 meses

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Deputado Renato Roseno Deputado Renato Roseno - Foto: Paulo Rocha

O deputado Renato Roseno (Psol) fez, nesta quarta-feira (27/03), durante o primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa, relato histórico sobre o que ocorria antes do golpe militar de 1964. Ele lembrou que não havia qualquer movimentação social e política de ruptura de regime no Brasil. O pronunciamento do deputado foi motivado pela aproximação dos 55 anos do início da ditadura no próximo dia 31 de março.

O parlamentar afirmou que, quando o presidente João Goulart, conhecido como Jango, foi deposto pelo golpe militar, a agenda política do País era de reforma de base, entre elas, a agrária, a educacional, a fiscal e a bancária, dentre as quais estavam, segundo ele, a proibição de remessas de lucros das transacionais para as matrizes, que eram sobretudo norte-americanas, e maior controle sobre o fisco para ampliar a arrecadação.

De acordo com o deputado, o golpe interrompeu um movimento nacional desenvolvimentista, que estava, naquele momento, liderado por Jango. “Chega a ser delirante achar que havia possibilidade de ruptura de 1961 a 1964. Essa tese foi impulsionada pelos norte-americanos”, concluiu. Havia, à época, uma tentativa de manter os interesses das transacionais norte-americanas.

“O Brasil estava numa rota que poderia assumir uma agenda de soberania popular, nacionalista; as populações foram às ruas para dizer que queriam aquelas reformas de base porque sabiam que o Brasil era desigual, injusto e era necessário que as reformas limitassem o envio de lucro das transacionais para suas matrizes”, relatou.

“Quero recusar esse revisionismo histórico que se quer apagar o que de fato aconteceu em 1964, que foi estancar na história brasileira uma possibilidade de reformas nunca até hoje feitas”, disse.

O parlamentar também contestou a postura do presidente Jair Bolsonaro em determinar comemorações alusivas aos 55 anos do golpe militar. Para ele, a atitude é mais uma das estratégia do presidente para desviar a atenção da população para temas como a macroeconomia e a agenda política presente. “Há uma estratégia diversionista”, avaliou.
LS/LF

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