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Renato Roseno critica modelo de gestão hídrica do Ceará

Por ALECE
16/08/2017 14:31 | Atualizado há 10 meses

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Deputado Renato Roseno Deputado Renato Roseno - Foto: Máximo Moura

O deputado Renato Roseno (Psol) criticou, no primeiro expediente da sessão plenária desta quarta-feira (16/08), a política de gestão hídrica do Ceará. De acordo com o parlamentar, o Estado não pode garantir segurança hídrica a empreendimentos econômicos “consumidores vorazes de água", como se quer fazer em pleno semiárido nordestino.  “Nosso modelo de gestão hídrica não olha para a frente, apenas para trás”, afirmou.

Ele comentou a medida implantada pelo Governo do Estado, na última semana, que tira água de 35 poços das comunidades no entorno do Complexo Industrial e Portuário do Pecém, para garantir 200 litros por segundo para a indústria. “A população está revoltada com esse roubo da água, na véspera do período de maior escassez do ano”, apontou.

Renato Roseno lembrou a visita que o secretário de Recursos Hídricos fará hoje à AL e antecipou alguns temas que vai levantar durante a discussão sobre a crise hídrica que o Estado enfrenta. Ele levantou questões como a qualidade da água dos reservatórios cearenses; as ajudas “robustas” concedidas pelo Governo do Estado aos grandes empreendimentos econômicos, como a garantia de segurança hídrica a empreendimentos como o Complexo Industrial e Portuário do Pecém, e a geração de energia solar como meio alternativo de produção energética visando à economia de água.

“Quando se gasta energia, gasta-se água. As pessoas, muitas vezes, não fazem essa relação”, acrescentou. Ele lembrou também que já apresentou quatro propostas visando garantir isenção da microprodução de energia solar “e, nas quatro tentativas, foi vencido no voto no Plenário”.

Renato Roseno considerou que o Ceará está “perigosamente em risco se não alterar profundamente esse modelo de gestão hídrica”. “E aqui não se trata de oposição ou situação. Trata-se da responsabilidade que as atuais gerações têm de deixar um modelo econômico para que seus filhos e netos não vivam uma calamidade como a que vivemos atualmente”, ponderou.

Em aparte, o deputado Joaquim Noronha (PRP) reforçou que, na medida que se concedem benefícios fiscais aos grandes empreendimentos, penaliza-se o consumidor. Ele sugeriu que seja criado um regime progressista de cobrança tributária das empresas. “Quem consumisse mais pagaria mais, ou se bonificaria quem economizasse mais. O que não é certo é o consumidor pagar mais por isso”, disse.

PE/AT

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