Renato Roseno lembra os 30 dias da chacina de Messejana
Por ALECE11/12/2015 14:57 | Atualizado há 10 meses
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O deputado Renato Roseno (Psol) lembrou, no primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa desta sexta-feira (11/12), os 30 dias da chacina do bairro Messejana, em que 11 pessoas foram mortas. De acordo com o deputado, as linhas de investigação estão evidenciando que os crimes foram praticados por agentes de segurança pública, em represália à morte de um policial, assassinado durante um assalto.
Segundo Roseno, após os crimes, o Ceará amanheceu atônito naquele dia. “É o segundo estado em morte de jovens do Brasil. Em 10 anos, Fortaleza chegou à condição de primeira capital em número de homicídios de jovens e em geral. São 77 homicídios para cada 100 mil habitantes, em geral, e 126 homicídios de jovens para cada grupo de 100 mil”, informou.
Para o deputado, instalou-se a banalização da morte. Isso é estimulado, conforme Roseno, pela “farta mídia policialesca, com programas policiais com mais de 10 horas por dia de violência, através de imagens de tragédias na periferia urbana”.
Na avaliação do parlamentar, Fortaleza vive hoje a cultura da violência. Na periferia, conforme Roseno, são criados territórios de exceção, onde não existem as leis do Estado. “Dependendo do lugar onde se mora, há cidadania ou não”, disse.
Com relação aos assassinatos de Messejana, Roseno considera que poucos eventos no Ceará foram tão violentos. Nunca houve resposta internacional tão imediata. “Entidades do Brasil e do mundo assinaram manifestos cobrando a pronta resposta. Movimentos de direitos humanos se posicionam contra a lógica de guerra, acrescentou.
“Temos uma polícia que morre muito e que também mata muito. Temos uma força policial que mata mais que o número de mortes em latrocínio. Quatrocentos policiais foram assassinados no Brasil esse ano, sendo 14 no Ceará. Territórios de exceção surgem, eliminando a presença do estado democrático de direito. Nessas áreas vale a lógica da força”, afirmou.
Roseno lembrou ainda que os mortos não tinham envolvimento com o narcotráfico, nem passagem na polícia. Mesmo que tivessem, avalia o deputado, nada autorizaria a desumanização das vítimas. “A lógica de extermínio suspende o estado democrático de direito. Quando há a violação da lei por um agente da lei, isso é qualitativamente mais grave que um crime comum, porque autoriza todo mundo a também matar. Queremos uma terra de ninguém”? perguntou.
Em aparte, o deputado Carlos Felipe (PCdoB) disse que a comunidade de Messejana realiza hoje um ato público, às 15h, na praça central do bairro, e à noite haverá uma missa. “A sociedade não vai deixar passar isso”, pontuou.
A deputada Dra. Silvana (PMDB) assinalou que violência gera violência, e só o amor transforma. “Temos de repudiar as pessoas que também aplaudem os assassinatos. A cultura de vingança não pode prevalecer. Precisamos dar oportunidade de recuperação a qualquer pessoa que já cometeu ilícitos”, afirmou.
JS/AT
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