Roseno diz que Dilma está sendo descartada pelo capital financeiro
Por ALECE31/08/2016 15:03 | Atualizado há 10 meses
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O deputado Renato Roseno (Psol) disse que a presidente Dilma Rousseff está sofrendo impeachment porque não interessa mais ao capital financeiro. “Esse julgamento não é pelos três créditos suplementares, nem pelo Petrolão, nem por causa do apartamento triplex atribuído a Lula ou por causa de corrupção”, frisou o parlamentar, durante o primeiro expediente da sessão plenária desta quarta-feira (31/08) da Assembleia Legislativa.
Segundo o parlamentar, os erros do PT que permitiram a abertura do processo de impeachment vieram da gestão de Lula, que fez uma aliança com o sistema financeiro e com parcela da burguesia nacional, mantendo a mesma política econômica de Fernando Henrique Cardoso (FHC). “Foi dada continuidade ao câmbio flutuante, produção de superávit primário e alta taxa de juros. FHC montou isso, e Lula disse que iria continuar. Com isso, acalmou os mercados”, assinalou.
No campo político, Roseno observou que a maioria no Congresso de Lula foi mantida através do Mensalão, dando continuidade à política do PSDB, “comandado por Sérgio Mota, que comprou a reeleição de FHC. O velho toma 'lá dá cá' da política de composições parlamentares.”
Segundo o deputado do Psol, de 2002 a 2008, o Governo Federal montou uma agenda neodesenvolvimentista. “Era a arquitetura do 'ganha quem está em cima e quem está embaixo'. Agora, como a fonte secou, o capital quer ganhar mais. Por isso o Governo interino estaria fazendo cortes no programa brasileiro de alfabetização, nas universidades, na saúde, e a precarização das relações de trabalho. Na crise, vale o dito popular: 'farinha pouca, meu pirão primeiro'".
O PT deixou de ser útil, porque não cumpre mais a tarefa de apaziguar os mais pobres e manter as altas taxas de rentabilidade do capital”, afirmou. Roseno lembrou que não votou na Dilma e é de oposição. Mas, conforme salientou, o que está sendo ferido no Brasil é o Estado de 1988, que queria ampliar a garantia de direitos e a democracia.
"O que está havendo de fato é uma conspiração. A população pensa que o golpe é por causa da Lava Jato, mas não é. É para manter a transferência de ativos públicos para o capital privado. Do Planalto não vêm notícias alvissareiras. Só exemplos que nos envergonham.”
Roseno também comentou que os açudes cearenses atingiram os piores níveis em 22 anos. Ele lembrou que, em 2011, a Assembleia aprovou a Lei 14.920, que determinou desconto de 50% na água para as termelétricas, apesar de o consumo das geradoras ser equivalente a sete cidades do porte de Quixeramobim. "Uma cidade de 30 mil habitantes consome um décimo do que uma termelétrica ligada. Manter a termelétrica ligada hoje é ceifar a água de 10 cidades de médio porte do estado do Ceará", afirmou.
Ainda de acordo com o parlamentar, o Operador Nacional do Sistema diz que desligar não afetará o fornecimento de energia. "Desligar não vai deixar ninguém sem luz. Temos que revogar essa tarifa vergonhosa. Se queremos reparar uma injustiça temos que derrubar essa lei”, disse. Para o deputado, "o Ceará precisa de uma matriz energética limpa, justa e socialmente equilibrada".
JS/AT
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