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Seminário debate na Alece inclusão profissional de pessoas com síndrome de Down

Por Pedro Emmanuel Goes
21/03/2024 18:01 | Atualizado há 10 meses

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Seminário debate na Alece inclusão profissional de pessoas com síndrome de Down - Foto: Bia Medeiros

O debate sobre a necessidade de conscientização e inclusão de pessoas com síndrome de Down em espaços laborais marcou o “II Seminário Síndrome de Down - Essência de Puro Amor”, promovido pelo Centro Inclusivo para Atendimento e Desenvolvimento Infantil (Ciadi) da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), realizado na tarde desta quinta-feira (21/03). 

Com o tema “Menos estereótipos, mais oportunidades”, o seminário faz parte de uma série de atividades promovidas pelo Ciadi em alusão ao Dia Internacional da Síndrome de Down, celebrado hoje.

Compartilhar informações com a sociedade sobre essa condição genética é um trabalho constante. Conforme Cristiane Leitão, primeira-dama da Alece, o atendimento voltado para reabilitação, educação e autonomia dessas pessoas é fundamental. “Mas é preciso ir além”, defende. “É preciso debater a sua inclusão nos espaços de trabalho. São pessoas que frequentam o ambiente escolar, têm relacionamentos, constituem família e precisam de renda, então não é possível que continuem excluídas dos espaços profissionais”, disse. 

Cristiane Leitão, primeira dama da Alece

Devido à necessidade de informar, Cristiane explicou que o Ciadi desenvolve ações junto às secretarias estaduais levando o trabalho do centro para além do Legislativo cearense. Outra ação em desenvolvimento é a implantação de uma sede do Ciadi na região do Cariri. “É a Alece saindo de seus espaços e gerando oportunidade para todos”, afirmou, ressaltando a dificuldade de encontrar espaços de atendimento em municípios do interior. 

PALESTRAS E APRESENTAÇÕES ARTÍSTICAS

O II Seminário Síndrome de Down contou também com apresentações artísticas, palestras e rodas de conversa sobre questões que fazem parte da vida das pessoas com T21, além de suas famílias e, consequentemente, de toda a sociedade.

Raquel Cabral, arquiteta e mãe do Marcello, de 5 anos e diagnosticado com síndrome de Down, ministrou a palestra “Cabe todo mundo no mundo: uma forma leve e livre de estereótipos de abordar o tema”. Durante a apresentação, Raquel chamou a atenção para a necessidade de observar o filho ou pessoa com síndrome de Down em primeiro lugar e perceber que a síndrome é apenas uma de suas características.

“É com esse olhar que vamos conseguir prospectar mais oportunidades para essas pessoas e deixar de lado a ideia de que são limitados. São pessoas que podem tudo e precisam de oportunidades, basta acreditarmos nelas”, afirmou.

A questão do contato das mães com o diagnóstico da síndrome também foi levantada na roda de conversa “Histórias e Conquistas”. Elizabeth Cristina Sampaio, mãe do Samuel Sampaio Fonseca e membro da Associação Fortaleza Down, entidade parceira do evento, comentou que o medo inicial, provocado pela desinformação, só passou após o compartilhar de experiências com outras mães.

“Enquanto professora e por conhecer a realidade das escolas, já senti a dificuldade que ia ser para incluí-lo nessas atividades. Mas eu pude perceber que o acolhimento e compreensão são fundamentais e, com isso, suas capacidades não ficam aquém das outras crianças”, refletiu.

Foto: Bia Medeiros

O seminário teve como mestre de cerimônia Levi Pimenta, que possui síndrome de Down. Aos 34 anos, Levi foi a primeira pessoa com T21 a concluir o curso básico de Libras do Centro de Referência e Atendimento Educacional Especializado do Ceará (CREAECE). Além de estudar para o Enem, ele é colaborador da Farmácia Pague Menos, brincante de maracatu há 7 anos e também poeta, desenvolvendo o projeto de seu primeiro livro.

“É uma grande honra participar desse evento como mestre de cerimônias. Estava muito nervoso ontem, mas hoje tudo correu bem. Espero ter outras boas oportunidades como essa”, considerou.

Além dos citados, o encontro contou com a palestra “A importância da sustentação dos cuidados por parte dos pais de pessoas com T21”, com Hélder Pinheiro, psicólogo, psicanalista, ativista e consultor sobre inclusão. As apresentações artísticas ficaram por conta dos dançarinos Northon Lima e Marina Timbó e do sanfoneiro Matheus Gabriel, que dividiu o palco com o músico Waldonys.

Edição: Vandecy Dourado

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