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Produtores de leite do Ceará cobram políticas de incentivo para o setor

Por Juliana Melo
11/06/2024 18:55 | Atualizado há 10 meses

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Produtores de leite do Ceará cobram políticas de incentivo para o setor - Foto: Paulo Rocha

A Comissão de Agropecuária (CA) da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) debateu, nesta terça-feira (11/06), sobre a situação atual da cadeia produtiva do leite no estado e os desafios enfrentado pelos produtores.

A audiência pública foi solicitada pelo presidente do colegiado, deputado Missias Dias (PT), que ressaltou a necessidade de encontrar soluções para os gargalos que afetam tanto os pequenos quanto os grandes produtores do estado. Ele citou alguns desafios como custo de produção, necessidade de capacitação e de melhorar a qualidade do produto. Algumas certificações também são tidas como difíceis, principalmente para pequenos produtores, além de questões referentes a logística e comercialização, e variações do preço do leite, que vem preocupando os produtores. 

Entre os encaminhamentos, o deputado destacou que é necessária a criação de políticas que incentivem a certificação dos produtos beneficiados, com o objetivo de abrir novos mercados e aumentar o valor agregado. Outros pontos que Missias Dias  ressaltou são: incentivo à capacitação, inovações tecnológicas, reforço ao trabalho com as universidades, investimentos e soluções para convivência com o semiárido, melhoria nas condições de algumas estradas, melhores condições para o preço do frete, crédito diferenciado para os produtores, ações preventivas a respeito de doenças bovinas como brucelose, assistência técnica mais presente e com muito mais técnicos profissionais no campo e incentivo ao uso das energias renováveis. 

A deputada Gabriella Aguiar (PSD) frisou que a agropecuária é um dos setores mais dinâmicos da economia cearense. Segundo a parlamentar, em quatro anos, a produção no Ceará saltou 53,8%, o estado é líder em crescimento do setor no Nordeste e está ainda no top 10 nacional. 

A deputada ressaltou que  Estado precisa incentivar o processo de certificação e de beneficiamento do leito no estado, além de melhoria na fiscalização em barreiras sanitárias, para reduzir a entrada de produtos clandestinos sem certificação. Ela citou propostas de sua autoria para o setor, além das ações do Governo do Estado para melhorias da produtividade e investimentos na tecnologia. E pontuou que "com investimentos contínuos em tecnologia, capacitação, infraestrutura, além de políticas públicas eficazes, podemos enfrentar os desafios existentes e aproveitar as oportunidades, contribuindo para o desenvolvimento sustentável do nosso estado, promovendo a prosperidade das comunidades rurais e a segurança alimentar de toda a população", concluiu. 

Para o deputado De Assis Diniz (PT), além de profissionalizar e investir em tecnologia, é necessário agregar valor para que o estado não seja somente fornecedor de matéria prima. "Nós podemos ter uma variedade de tipologias de queijo. A exemplo de um produtor de Limoeiro do Norte que conseguiu com o Selo Arte [produto artesanal] para o queijo maturado que ele produz. É possível fazer outras tipologias de queijo que vão dar maior retorno", declarou. 

O presidente do Sindicato da Indústria de Lacticínios e Produtos Derivados no Estado do Ceará (Sindlacticinios), José Antunes Mota, acrescentou que os produtores têm dificuldade de manter seus negócios por causa dos atravessadores, que limitam o lucro e tornam mais difícil manter a produção para os pequenos produtores. Ele destacou também que há uma divulgação negativa a respeito do leite e que os produtores devem se unir para reverter essa propaganda negativa e voltar a incentivar o consumo.

Segundo o superintendente federal de Agricultura, Francisco Augusto Júnior, é recomendável que os produtores cearenses busquem se diferenciar no mercado, agregando valor aos produtos, e invistam na qualidade para conseguir certificações e poder vender em outros estados. 

O assessor técnico em agropecuária da Ematerce, Daniel Rodrigues, sugeriu o investimento em melhoramento das pastagens e melhoria na qualidade da produção de alimento para o gado, além de subsídio para o preço do frete e mais investimento em tanques de resfriamentos de leite.

O representante da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Ceará, Amorin Sobreira, destacou que o uso de tecnologia para análise dos produtos deve ajudar a corrigir problemas de qualidade na produção. Ele informou que o Governo do Estado está abrindo um credenciamento de laboratórios particulares e que deverão ser investidos em torno de R$ 4,5 milhões "para que todas as análises dos produtos de origem animal sejam realizados dentro do laboratório central, tanto a parte microbiológica como a parte fisicoquímica. E sem custo para o produtor", explicou. 

Também participaram da audiência pública o deputado Felipe Mota (União);  o coordenador da Pecuária representando a SDA, Vital Neto; representando a Secretaria do Desenvolvimento Econômico, Flávio Távora; diretor de Ensino e Pesquisa do Centec, Silas Barros; representante do Sebrae, Germano Parente Blum; secretário de Políticas públicas da Fetraece, Joathan de Souza Magalhães; representante da Cooperativa Central das Áreas de Reforma Agrária do Ceará, Lucimério Araujo; o presidente da associação de Buiatria do Ceará, Kolowviski Dantas; e o gerente de Fomento da Pecuária de Leite da Alvoá Lácteos Ceará, David Girão. 

Edição: Clara Guimarães

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