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Demandas dos pacientes diabéticos são discutidas em audiência pública na Alece

Por Pedro Emmanuel Goes
18/06/2024 16:59 | Atualizado há 10 meses

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Demandas dos pacientes diabéticos são discutidas em audiência pública na Alece - Foto: Máximo Moura

As demandas dos pacientes diabéticos foram apresentadas aos parlamentares durante audiência pública promovida pela Comissão de Previdência Social e Saúde na tarde desta terça-feira (18/06). Entre os principais desafios apontados pelos participantes estão a carência de profissionais especialistas e capacitados para atendimento da população, as filas de atendimento, a falta de centros de referência nos municípios do interior e de campanhas informativas sobre o tema.

A deputada Gabriella Aguiar (PSD), proponente da audiência, informou que o Brasil é o quinto país do mundo em diagnóstico de diabetes e que o Ceará é um dos estados brasileiros com maior índice de mortalidade pela doença, um número que ultrapassa os sete mil óbitos prematuros no período de 2013 a 2022. 

As campanhas de conscientização sobre a doença, de acordo com ela, são tema de projeto de lei de sua autoria em tramitação na Casa. “Trata-se de um projeto que institui a Semana Estadual de Conscientização quanto ao Diabetes e que deve acontecer no decurso da semana que enquadre o dia 14 de novembro, Dia Mundial do Diabetes, e que contempla ações educativas e de conscientização junto à população”.

O aumento de casos de cegueira e amputações decorrentes da doença chama a atenção. A coordenadora da coalizão Vozes do Advocacy Diabetes e Obesidade de São Paulo, Vanessa Pirolo, informou que as filas de espera em Fortaleza contam com 12 pessoas para cada oftalmologista. Ela reforçou que os diabéticos necessitam dessas consultas ao menos uma vez ao ano e nem sempre conseguem no momento adequado. 

Segundo ela, dados da Sociedade Brasileira de Angiologia apontam que as amputações decorrentes da doença cresceram 175% no Ceará entre 2012 e 2023. “É preciso considerar a dificuldade de acesso aos profissionais especialistas pelo SUS. A falta de cuidado com as pessoas sobrecarrega tanto o sistema de saúde quanto o governo, financeiramente falando”, alertou.

Michel Nobre, assessor especial da Coordenadoria de Assistência Farmacêutica da Secretaria de Saúde do Estado, informou que a pasta tem lutado no sentido de fomentar uma Política Estadual de Assistência Farmacêutica. O farmacêutico, segundo ele, é peça fundamental no controle de doenças como diabetes e hipertensão, sendo responsável, junto com outros profissionais, pela adesão dos pacientes aos tratamentos.

“O estado do Ceará é diferenciado e pioneiro em assistência farmacêutica, e a secretaria tem cumprido seu papel ao dispensar até 93% dos componentes básicos e especializados para a rede de assistência dos municípios, mas os gestores precisam ser estimulados a implantar a assistência farmacêutica em seus municípios, pois assim a rede de assistência e cuidado fica mais completa”, defendeu.

Entre os encaminhamentos propostos pelos presentes estão a contabilização dos profissionais oftalmologistas e endocrinologistas disponíveis no Estado e municípios; a capacitação de profissionais da atenção primária para promover a assistência; a implantação de equipamentos do Centro Estadual de Atenção ao Diabetes nos municípios, sob a forma de política pública e o uso da telemedicina para triagem de pacientes.

A audiência contou com a presença de representantes do Centro de Diabetes de Fortaleza, do Hospital Geral de Fortaleza, das Redes de Atenção à Saúde e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-CE).

Edição: Clara Guimarães

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