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Profissionais e estudantes cobram melhorias no ensino de jovens e adultos

Por Juliana Melo
25/09/2024 18:46 | Atualizado há 10 meses

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Profissionais e estudantes cobram melhorias no ensino de jovens e adultos - Foto: Máximo Moura

Nesta quarta-feira (25/09), a Comissão de Educação Básica da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) reuniu representantes do Governo, professores e sociedade civil para debater a situação da educação de jovens e adultos (EJA) no estado do Ceará. 

A audiência pública foi realizada por iniciativa do deputado Missias Dias (PT), que lembrou que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 14% da população de 15 anos ou mais não sabe ler e escrever.  Ele destacou que foi aluno de escola para jovens e adultos e que sua mãe foi alfabetizada nesse tipo de ensino. "Isso não tem preço. Eu vi a mãe chorando e dizendo que o sonho dela se realizou naquele momento", recordou.

O parlamentar também ressaltou que os desafios da educação para jovens e adultos passam pela adequação às realidades dos alunos e de seus territórios e propôs que seja iniciado um diálogo com a Seduc para criar um plano estratégico de educação de jovens e adultos no Ceará. 

A importância de pensar as territorialidades também foi destaca na fala da representante da Federação dos Servidores Públicos Municipais do Ceara (Fetamce),  professora Maria Kellynia Farias Alves. Ela acrescentou que é fundamental aplicar essa educação com olhar para as interseccionalidades relativas a raça, classe, gênero e geração.

Além disso, a professora alertou para problemas como as distâncias das escolas, medo da violência urbana durante deslocamento e a disputa entre grupos criminosos, que têm impactado na frequência dos alunos de Fortaleza e do interior. Ela reforçou ainda a necessidade de as gestões públicas fazerem a busca ativa dos estudantes, além da divulgação, e incentivar os adultos que ainda não foram alfabetizados.

Segundo a professora e representante do Programa Educação Para Jovens e Adultos, Clarice Gomes, apesar dos avanços na educação infantil no Ceará, o estado é o quinto em analfabetismo de adultos. Ela frisou que há escolas que não têm livros didáticos para esse público e cobrou maior iniciativa das administrações municipais para a oferta de materiais e formações para os professores do EJA.

Clarice Gomes acrescentou que o limite de idade do programa Pé-de-Meia do Governo Federal, que oferece incentivo financeiro-educacional para estudantes do ensino médio público beneficiários do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) de até 24 anos exclui muitos alunos do EJA que têm maior faixa etária. 

Foto: Máximo Moura

 

Para o vice-presidente da Comissão de Educação e Cidadania da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-CE), David Torres, “se o Pé-de-Meia tivesse sido colocado à disposição dos estudantes jovens e adultos, provavelmente a evasão escolar também fosse reduzida”. 

Ele informou ainda que, no estado do Ceará, os dados são preocupantes porque existem 13,12% das pessoas acima de 15 anos em situação de analfabetismo. “Então, a gente já verifica que o estado ainda não conseguiu atingir nem o nível nacional. Isso impacta também no direito do trabalho, porque, muitas vezes, as pessoas que estão nessa situação acabam aceitando determinados tipos de trabalho e isso cria uma nova precarização, que é a precarização do trabalho daquela pessoa que não teve aquele acesso à educação”, concluiu.

De acordo com a representante da Coordenadoria do Ensino Médio da Secretaria de Educação do Estado Do Ceara (Seduc), Isabelle Vasconcelos, o Ceará já aderiu ao Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da EJA, que tem o objetivo de superar o analfabetismo, aumentar a escolaridade e a oferta de matrículas na EJA, além da oferta integrada à educação profissional.

Ela ressaltou ainda que o material é um gargalo para o ensino de jovens e adultos, mas que o Governo Estadual vai disponibilizar o material para o ensino presencial e que será lançado um chamamento público para elaboração do material específico para a modalidade de EJA semipresencial. Isabelle Vasconcelos também acrescentou que a busca ativa será reforçada com maior divulgação para chamar os novos alunos.  

Também estiveram presentes a coordenadora executiva do Fórum Permanente de Educacão e Diversidade Étnico-Racial do Cearà, Gloria Bernardino; a vereadora de Fortaleza Adriana Gerônimo (Psol); a professora Verônica dos Santos; a representante do MST, Dinara do Nascimento; a aluna Ana Patrícia dos Santos Chagas, do Centro de Educação para Jovens e Adultos Professor Neudson Braga; professores e estudantes do EJA.

Edição: Clara Guimarães

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