Roda de conversa alerta sobre riscos do uso de telas por crianças e adolescentes
Por Lincoln Vieira/com Comunicação Interna16/10/2024 14:45 | Atualizado há 10 meses
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A Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) realizou, na manhã desta quarta-feira (16/10), roda de conversa sobre o tema “Ferramentas e suporte para as famílias sobre o mundo digital. Diagnóstico, Prevenção e Tratamento” no Comitê de Imprensa.
A iniciativa foi uma ação conjunta do Departamento de Gestão de Pessoas (DGP), por meio do Programa de Reflexão sobre o Amanhã (Prosa); do Comitê de Responsabilidade Social (CRS), por meio do Célula de Saúde Mental e Práticas Sistêmicas Restaurativas; do Departamento de Saúde e Assistência Social (DSAS), por meio da Célula de Psicologia e do Centro Inclusivo para Atendimento e Desenvolvimento Infantil (Ciadi).
A ação foi conduzida pela diretora do DGP, Elenice Ferreira Lima, pela psiquiatra do Ciadi, Thayna Barboza, a psicóloga do DSAS, Mayara Rios, e a psicopedagoga do Ciadi, Luciana Bem. Conforme explicou a diretora, o tema trazido para a roda de conversa teve por objetivo informar pais, crianças, avós, e adultos sobre a importância do cuidado no uso das telas.
De acordo com Elenice Ferreira Lima, o uso de tela, seja no smartphone, seja no computador ou na TV sem um acompanhamento dos pais ou outros responsáveis pode trazer prejuízos à intelectualidade e ao desenvolvimento das crianças, jovens, adultos e até aposentados que usam essa ferramenta sem o controle.
"O objetivo desta roda de conversa foi trazer esclarecimentos. Vamos também entregar, via QR Code, uma cartilha onde as pessoas vão poder ver e analisar os pontos positivos e negativos do uso de telas e orientar suas famílias, seus filhos, seus netos e a si próprios", completou.
A psicóloga do Departamento de Saúde e Assistência Social (DSAS), Mayara Rios, que mediou o encontro, salientou que o uso em excesso das telas pela crianças também geram prejuízos como por exemplo, na linguagem. "A Organização Mundial de Saúde (OMS) não indica telas para crianças menores de dois anos por causa do prejuízo na linguagem. As telas podem trazer dependência assim como as drogas, o álcool, e qual o preparo de uma criança para uso dessas telas? Elas utilizam as telas o tempo todo", observou.
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A atividade reuniu pais e mães servidores da Alece - Foto: José Leomar
A psiquiatra do Centro Inclusivo para Atendimento e Desenvolvimento Infantil (Ciadi), Thayna Barbosa, alertou que o uso excessivo das telas pode acarretar mudanças no comportamento da criança, como dificuldades do aprendizado; limitação de concentração; no sono e na alimentação. A especialista disse que o tratamento para superação dessas dificuldades geradas deve ser realizado junto da família.
No entender da psiquiatra, é fundamental buscar alternativas pra que essas crianças não tenham tanto acesso às telas que causem esse adoecimento tão grande na atualidade. Ela defendeu um diálogo com as pessoas para que possam entender que nem sempre o problema vai ser tratado com medicamentos.
"Muitas vezes, uma equipe multidisciplinar direciona o paciente para os locais corretos. A saúde mental é construída não somente com médico, mas por uma equipe multidisciplinar em que um médico também faz parte dela", completou.
Thayna aconselhou ainda que a família deve ficar próximo à criança e do adolescente para evitar transtornos como dependência digital, ansiedade e depressão. Ressaltou, por outro lado, que " hoje existe uma oferta de medicamentos para crianças porque nesse grau de dificuldade, as terapias multidisciplinares não tem efetividade, por isso a prescrição do medicamento. Proteção, diálogo, regras de convivência e modelos referenciais de educação são necessárias", asseverou.
A psicopedagoga do Ciadi, Luciana Bem, explicou que a diferença entre o remédio e o veneno é “mensurar a quantidade". Segundo afirmou, a partir do uso excessivo de telas, há dificuldades no processo de aprendizagem. Há mudança na perspectiva de concentração, de atenção, do próprio raciocínio lógico na criança e no adolescente. E sugeriu que a família deve oferecer alternativas saudáveis na utilização das telas.
"As mudanças devem acontecer a partir dos pais, nós precisamos construir horários para interagir como no almoço, estimular a leitura, e ainda estimular brincadeiras como forca, jogo da velha e caça palavras que dependem só de caneta e papel", apontou.
Edição: Clara Guimarães
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