Probabilidade de chuvas dentro ou abaixo da média entre fevereiro e abril no CE gera preocupação
Por Gleydson Silva21/01/2026 14:21 | Atualizado há 1 mês
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A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) divulgou, na manhã desta quarta-feira (21/01), o prognóstico de chuvas para o trimestre de fevereiro a abril de 2026, que indica que o Estado tem 40% de chances de chuvas dentro da média e igual probabilidade de acumulados abaixo da média histórica para o período. As chances de as precipitações ficarem acima da média histórica são menores, de apenas 20%.
A Fundação aponta também que, do ponto de vista espacial, há tendência de o Centro-Sul do Ceará apresentar condições mais secas em relação ao Centro-Norte do Estado.

Divulgação dos dados ocorreu no Palácio da Abolição — Foto: Tiago Stille/Governo do Ceará
O presidente da Funceme, Eduardo Sávio Martins, explica que, nas áreas com tendência de acúmulos menores, essa irregularidade ao longo do tempo pode resultar em mais períodos com baixa pluviometria dentro da estação chuvosa — os chamados veranicos. “Existe expectativa de maiores acumulados na região Norte do Estado e áreas de serra, pois aumenta a chance de ocorrerem chuvas muito intensas devido à topografia”, acrescenta.
O deputado Leonardo Pinheiro (Progressistas) avalia que o prognóstico climático para o trimestre fevereiro–abril acende um alerta no Ceará. Para ele, o cenário é preocupante, inclusive diante da tendência de mais seca no Centro-Sul do Estado.
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Deputado Leonardo Pinheiro (Progressistas) — Foto: Júnior Pio
Além disso, o parlamentar enfatiza ainda que fará uma reunião com a participação da Secretaria de Recursos Hídricos do Estado e secretários de municípios do Vale do Jaguaribe para discutir ações emergenciais a fim de garantir o abastecimento de água na região, sobretudo para a manutenção do rebanho leiteiro. “Como parlamentar, junto ao Governo do Estado, estarei atento e trabalhando para fortalecer o planejamento, a segurança hídrica e o apoio às famílias cearenses”, assegura.
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Deputado Guilherme Landim (PSB) - Foto: Júnior Pio
Já o vice-presidente da Comissão de Desenvolvimento Regional, Recursos Hídricos, Minas e Pesca da Alece, deputado Guilherme Landim (PSB), garante que, como homem do interior, conhece de perto a realidade do campo e a importância da chuva para quem vive da terra. Por isso, ele afirma seguir com grande expectativa por uma boa quadra chuvosa. “Acreditamos e torcemos para que as chuvas cheguem no tempo certo, fortalecendo a agricultura, garantindo água para nossas comunidades e trazendo mais tranquilidade ao povo cearense, especialmente para as regiões que mais sofrem com a seca”, comenta.
MÉDIA HISTÓRICA
A Funceme explica que o prognóstico de chuvas se refere ao acumulado do trimestre como um todo, e não a previsões específicas para cada mês. Essa “normalidade” das chuvas, citada no prognóstico climático, corresponde, conforme o órgão, a uma categoria histórica calculada a partir de 30 anos de dados meteorológicos. Para o período analisado, acumulados abaixo de 512,5 mm são classificados como abaixo da normalidade; entre 512,5 mm e 705,9 mm, como em torno da normalidade; e mais de 705,9 mm, como acima da média.
SECA GRAVE
O mapa do Monitor de Secas, ferramenta de acompanhamento contínuo da situação da estiagem no Brasil, aponta um cenário preocupante no Ceará. Em dezembro do ano passado, 42,04% do território cearense apresentava condição de seca grave, atingindo diretamente 95 municípios do Estado.
O cenário é o pior registrado desde dezembro de 2018, quando se observa a proporção de área afetada por seca grave. O quadro se agravou diante da escassez de chuvas ao longo do segundo semestre.
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Secretário dos Recursos Hídricos do Estado, Fernando Santana — Foto: Júnior Pio
O secretário dos Recursos Hídricos do Estado, Fernando Santana, ressalta que, apesar de torcer sempre por um cenário otimista dentro das probabilidades apontadas pela Funceme, o Governo do Estado trabalha com ações preventivas e de enfrentamento da seca.
Conforme o secretário, há grandes obras estruturantes em andamento como o Cinturão das Águas no Cariri, Malha D'água no Sertão Central e a duplicação do Eixão das Águas, que vai reforçar a segurança hídrica de Fortaleza e Região Metropolitana. “Além disso, a SRH coordena o Comitê Integrado de Segurança Hídrica, que se reúne periodicamente para discutir a situação de abastecimento de todos os municípios e traçar ações de contingência como adutoras, carros-pipa ou perfuração de poços”, explica.

Secretário do Desenvolvimento Agrário do Ceará, Moisés Braz — Foto: Divulgação SDA
Já o secretário do Desenvolvimento Agrário do Ceará, Moisés Braz, ressalta que acompanha com atenção o prognóstico apresentado pela Funceme. Ele afirma, porém, que segue com expectativa de boas chuvas para “abençoar a agricultura familiar e garantir uma boa safra".
No entanto, caso o cenário de chuvas no Ceará fique abaixo da média, o secretário afirma que a SDA concentra as ações no semiárido, com foco na garantia hídrica, na alimentação animal e no suporte à agricultura familiar. Entre as principais iniciativas citadas estão a implantação de cisternas de placas para armazenamento de água de chuva para consumo humano; o Garantia Safra, que oferece auxílio financeiro aos agricultores familiares que perdem a produção devido à estiagem; e a promoção da comercialização de produtos da agricultura familiar, garantindo a compra de leite para o PAA-Leite e outros alimentos para abastecer o Programa Ceará Sem Fome, além de incentivar a venda de produtos dos pequenos agropecuaristas, como leite e derivados.
“A SDA também apoia a agricultura familiar por meio de ações que fortalecem o desenvolvimento sustentável e a segurança alimentar no Estado, incluindo a isenção da taxa para agricultores familiares no Projeto Hora de Plantar e a implementação do programa Mandallas", enfatiza Moisés Braz.
O Monitor das Secas destaca ainda que, entre os principais efeitos dessa estiagem, estão as perdas prováveis de culturas agrícolas e pastagens, a escassez de água em comunidades rurais e urbanas e a imposição de restrições no uso da água, especialmente em municípios mais vulneráveis.
Edição: Geimison Maia
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