Homenagem ao GAVV na Alece destaca importância do acolhimento às vítimas de violência
Por Pedro Emmanuel Goes11/03/2026 19:45 | Atualizado há 3 semanas
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A Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) realizou, na noite desta quarta-feira (11/03), sessão solene em homenagem ao Grupo de Apoio às Vítimas de Violência (GAVV), unidade integrante do Comando de Prevenção e Apoio às Comunidades (Copac) da Polícia Militar do Estado do Ceará. Durante a homenagem, solicitada pelo deputado Bruno Pedrosa (PT), foi ressaltada a importância do acolhimento humanizado às vítimas de violência.
Criado em 3 de março de 2013, o GAVV consolidou-se ao longo dos anos como “referência em atendimento humanizado e técnico”, conforme Bruno Pedrosa. A metodologia de atuação do GAVV, de acordo com ele, distingue-se do modelo tradicional de atendimento emergencial, pois opera com foco na gestão preventiva do risco, mediante aplicação do Formulário Nacional de Avaliação de Risco e do monitoramento contínuo das vítimas assistidas.
Ele afirmou que o GAVV é o melhor exemplo de polícia comunitária do Brasil. “Sua natureza é proativa e suas atividades têm como fim assegurar o empoderamento do cidadão, prestando atenção individualizada e continuada para superação do estado de sofrimento e quebra do ciclo de violência”, disse, reforçando que, “desde sua criação, nenhuma vítima de violência acompanhada pelo GAVV sofreu feminicídio”.
Esse dado, ainda de acordo com o parlamentar, demonstra que o grupo tem protegido a vida das mulheres. “É um resultado que representa vidas preservadas e famílias protegidas, além de afirmar a presença real do Estado onde ele é necessário”, avaliou.
O comandante do Copac, o tenente-coronel Carlos Leandro Ribeiro, considerou que o êxito alcançado pelo GAVV só foi possível porque o Poder Legislativo compreendeu a urgência da missão. “A Alece aprovou o alicerce legal que permitiu que a segurança pública desse esse passo definitivo em direção à modernidade, tornando nossa atividade uma política pública de estado perene e robusta”, salientou.
Os números do GAVV, de acordo com o comandante Carlos Leandro, impressionam e sensibilizam. Foram 8.381 boletins de ocorrência registrados e mais de quatro mil novas vítimas sob proteção direta do grupo apenas em 2025. Conforme observou, os números representam uma gama de atendimentos diários que vai muito além de uma viatura parada à porta. “Somos parte de uma rede intersetorial em que a Polícia Militar é um elo que liga assistência, justiça e saúde”, disse.
A notificação direta aos agressores, ainda de acordo com o comandante, é um dos diferenciais da política de proteção, pois “se trata de uma estratégia que interrompe o escalonamento da violência e tira o agressor da zona de impunidade”. A secretária de Direitos Humanos do Estado do Ceará, Socorro França, também reforçou a sensibilidade dos profissionais militares que compõem o GAVV. “Estou há 60 anos na vida pública e sei que há muita sensibilidade por baixo dessa farda. Essa homenagem e reconhecimento são muito importantes no sentido de valorizar os profissionais e estimular cada vez mais o cumprimento de sua missão”, afirmou.
HOMENAGEADOS
Entre participantes do GAVV e outros que colaboram diretamente com o grupo, 23 personalidades foram agraciadas com homenagens durante a solenidade.
Falando em nome do grupo, Joseana França, procuradora de Justiça do Ministério Público do Ceará (MP-CE), ressaltou que o trabalho do GAVV se diferencia pelo acolhimento e acompanhamento das vítimas. “Pensamos muito na responsabilização, que não pode faltar, mas o acolhimento é igualmente importante. A violência desestrutura famílias, adoece pessoas, e é fundamental que as políticas de enfrentamento à violência tenham esse olhar”, defendeu.
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Procuradora de Justiça do Ministério Público do Ceará (MP-CE) Joseana França - Foto: Marcos Moura
A enfermeira obstetra Emília Pereira Feitosa conseguiu sair de um ciclo de violência de dez anos com a ajuda do GAVV. Em seu testemunho durante a homenagem, ela destacou o apoio prestado pelos membros do grupo, o acolhimento e orientação recebidos e que, segundo ela, salvaram sua vida.
“Hoje eu saí desse ciclo e voltei a viver. O GAVV me acompanhou pelos órgãos que compõem a rede de acolhimento, sempre de forma muito respeitosa, como toda mulher ou toda vítima de violência merece”, agradeceu.
A solenidade seguiu com as presenças da coordenadora do GAVV, a capitã Dayane Teixeira, e do promotor de Justiça do MPCE Renato Magalhães de Melo.
Edição: Lusiana Freire
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