Partido mais antigo do Brasil, PCdoB é homenageado em solene na Alece pelos 104 anos
Por Gabriela Farias01/04/2026 19:42 | Atualizado há 1 mês
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A Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) realizou sessão solene na tarde desta quarta-feira (01/04), em comemoração aos 104 anos do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), reconhecido como o partido mais longevo em atividade do País. A sessão atendeu ao requerimento do deputado Alysson Aguiar (PCdoB).
O PCdoB formou quadros que atuaram na sociedade civil organizada, nos parlamentos municipais, estaduais e nacional, bem como no âmbito do Poder Executivo, contribuindo para o debate de políticas públicas e para a construção de propostas voltadas à superação das desigualdades sociais e ao fortalecimento da soberania nacional. A solenidade teve como objetivo homenagear a trajetória do partido, que esteve presente ao longo de marcos políticos importantes na história do Brasil.
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O deputado Alysson Aguiar mencionou o legado de ex-parlamentares do partido que passaram pela Casa. Foto: Dário Gabriel
Presidindo o evento, o deputado Alysson Aguiar, único representante do partido na Alece, destacou as causas e lutas sociais e políticas da sigla. “O PCdoB não se deixou ruir, mesmo após diversas tentativas de calar esse partido. Nesta Casa passaram grandes nomes que o representaram, como Inácio Arruda, Chico Lopes, Augusta Brito, Lula Moraes”, homenageou o deputado.
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O ex-senador Inácio Arruda celebrou o aniversário do PCdoB. Foto: Dário Gabriel
Presente na sessão, o secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social (Sedes) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), ex-senador e ex-deputado federal, Inácio Arruda, celebrou o aniversário do PCdoB. “Esse é o partido mais longevo, mas com as ideias mais jovens. As ideias da construção de uma sociedade socialista, de inclusão social, essas que são as ideias novas, que devemos abraçar. O grande papel do nosso partido é colocar as ideias novas no enfrentamento aos setores atrasados e conservadores”, frisou o político.
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O presidente do partido no Ceará, Luís Carlos Paes, ressaltou o legado da sigla na história do Brasil. Foto: Dário Gabriel
Um dos homenageados, o presidente do PCdoB do Ceará, Luís Carlos Paes, fez uma retrospectiva da história do partido e sua importância nos movimentos sociais, desde seu surgimento, ainda na Velha República. “A gente pode dizer que o nosso partido dá seguimento a uma série de lutas que foram desenvolvidas no nosso Brasil, que culminaram com a nossa independência política de Portugal (1822), a libertação dos escravos com a lei áurea (1888) e a proclamação da República (1889). Datas importantes dessa nação jovem, que tem um papel a cumprir na cena internacional. Nosso partido nasce logo em seguida, em 1922”, relembrou o correligionário.
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O ex-presidente estadual da silga, Carlos Augusto Patinhas, homenageou Benedito Bizerril. Foto: Dário Gabriel
Em um segundo momento, Carlos Augusto Patinhas, ex-presidente estadual do PCdoB, fez uma fala emocionada, representando o homenageado in memorian Benedito de Paula Bizerril (Bené), conselheiro seccional da Ordem dos Advogados do Brasil Secção Ceará (OAB-CE), fundador e duas vezes presidente da Associação dos Advogados Trabalhistas do Ceará (ATRACE), além de militante do PCdoB, morto em outubro de 2025.
Na tribuna, Patinhas relembrou a militância ativa de Benedito Bizerril. “Desde a partida de Benedito, a ausência dele tem sido uma presença constante. Sua cadeira vazia no auditório do comitê nos lembra diariamente, como se ele permanecesse ali, ocupando seu posto, seu lugar de militante e dirigente do nosso partido. Ele foi figura central em todas as lutas democráticas e progressistas travadas no nosso Estado”, ressaltou emocionado Patinhas.
Benedito Bizerril, cearense, nascido em São Benedito, na Serra da Ibiapaba, teve uma trajetória profundamente marcada pela resistência à ditadura militar. Em 1973, foi preso e torturado em uma casa de campo em Maranguape, posteriormente reconhecida como a “casa dos horrores”, por integrar o PCdoB, que lutava contra o regime autoritário da época. Sua história de luta se tornou símbolo de perseverança e defesa intransigente da democracia. A viúva Márcia Bizerril, junto aos filhos André, Vitor e Eva, recebeu a homenagem póstuma.
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A secretária estadual, Sandra Monteiro, comentou sobre o futuro do partido. Foto: Dário Gabriel
Posteriormente, a integrante da mesa da sessão, Sandra Monteiro, secretária da Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Estado do Ceará (Secitece) e filiada ao PCdoB, falou sobre sua história e relação com a sigla. “Me filiei no ano 2000, pela pujança, pela energia, pela visibilidade que o nosso partido se mostrava” e concluiu com desejos para o futuro. “Nesses 104 anos do partido, que possamos pensar hoje a integração e irmandade de todas as forças progressistas para que nosso País continue vivendo uma democracia”, salientou.
Na ocasião, ocorreu apresentação artística com o violinista Gutemberg Pereira, que fez uma interpretação musical acústica das canções “Roda Viva”, de Chico Buaque; “Canta, Canta, Minha Gente”, de Martinho da Vila e “Conversa de Botequim”, de Noel Rosa.
Além dos que se manifestaram na tribuna, Ana Lucia Vieira Viana, presidente do PCdoB Fortaleza, e Terezinha Braga Monte, membro do Comitê Central do PCdoB, completaram a mesa da cerimônia.
Assista à sessão solene na íntegra:
Edição: Vandecy Dourado
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