Oradores

Renato Roseno alerta para o impacto do agronegócio na APA da Chapada do Araripe

Por Ariadne Sousa
14/05/2026 11:45 | Atualizado há 50 minutos

Compartilhe esta notícia:

Deputado Renato Roseno (Psol) Deputado Renato Roseno (Psol) - Foto: Júnior Pio

O deputado Renato Roseno (Psol) questionou o avanço do agronegócio na Área de Proteção Ambiental (APA) da Chapada do Araripe durante o primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) desta quinta-feira (14/05). Segundo o parlamentar, a utilização em larga escala de áreas para a produção de soja e algodão ameaça o ecossistema da região.

De acordo com Renato Roseno, essas atividades econômicas dependem de grandes extensões de terra e, consequentemente, provocam supressão vegetal com impactos imediatos sobre a fauna, a flora e o ciclo hidrológico. “A produção de soja e algodão dentro de uma Área de Proteção Ambiental é incompatível. Não sou eu que estou dizendo isso. Não é uma posição ideológica, mas uma posição baseada no conhecimento científico”, argumentou.

Além do desmatamento, o deputado alertou para o uso de fertilizantes petroquímicos e agrotóxicos, que, segundo ele, também colocam em risco a população local. “A sociedade humana do Cariri cearense formou-se por causa da Chapada. Ela não é apenas um elemento paisagístico, mas um ecossistema fundamental para as comunidades do entorno, suas culturas e ancestralidades”, destacou.

Para o parlamentar, é necessária uma mudança de mentalidade em relação ao modelo de desenvolvimento econômico. “É possível gerar economia e enfrentar a pobreza sem destruir a chapada”, defendeu. Na avaliação dele, alternativas como a agroecologia e o fortalecimento de arranjos produtivos locais seriam caminhos viáveis.

Renato Roseno também lembrou que, no fim de 2024, foi aprovada a Lei Estadual n.º 19.135/2024, que autorizou a pulverização aérea de agrotóxicos no Ceará. Segundo ele, desde então, foram registrados diversos casos de contaminação relacionados ao uso desses equipamentos. “É um equipamento de difícil fiscalização, que pode ser comprado pela internet e operado por pessoas certificadas após apenas 14 horas de curso a distância”, criticou.

O deputado citou ainda um estudo da Universidade Federal do Ceará (UFC), segundo o qual a exposição aérea a agrotóxicos pode aumentar em até 27 vezes o risco de mutações genéticas associadas ao câncer. “Que crescimento do PIB vale o câncer, o adoecimento das crianças e a destruição da nossa natureza?”, questionou. “É possível construir uma economia digna e sustentável, capaz de enfrentar a pobreza sem sacrificar a natureza”, concluiu.

Edição: Vandecy Dourado

Veja também