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Homenagem reconhece lutas e compromisso do Centro Acadêmico Clóvis Beviláqua com a democracia

Por Pedro Emmanuel Goes
03/06/2026 19:38 | Atualizado há 5 horas

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Sessão solene foi realizada no Plenário 13 de Maio Sessão solene foi realizada no Plenário 13 de Maio - Máximo Moura

Os 100 anos do Centro Acadêmico Clóvis Beviláqua (CACB), entidade representativa dos estudantes da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará (UFC), foram celebrados em sessão solene na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) na tarde desta quarta-feira (03/06), no Plenário 13 de Maio. Durante a cerimônia, solicitada pelo deputado Renato Roseno (Psol), com subscrição dos deputados Missias Dias (PT), De Assis Diniz (PT) e Guilherme Sampaio (PT), 21 personalidades da área, antigos gestores e membros do centro receberam homenagens. 

O CACB é uma das entidades estudantis mais tradicionais e relevantes do Brasil. Fundada em 1926, a entidade leva o nome do civilista cearense e autor do anteprojeto do Código Civil de 1916. A trajetória do centro se confunde com a própria história da Faculdade de Direito do Ceará, e com a institucionalização do movimento estudantil universitário no Estado. 

O deputado Renato Roseno ressaltou as contribuições e possibilidades apresentadas pelo CACB aos estudantes ao longo dos100 anos de existência. Conforme observou, muitos também foram “alunos do CACB, sendo a entidade uma grande escola de defesa da universidade pública de qualidade e tendo contribuído sobremaneira para a formação jurídica e política dos estudantes”. 

Deputado Renato Roseno (Psol) fala sobre a importância do CACB para o futuro da universidade pública - Foto: Máximo Moura

O parlamentar ainda reforçou a importância da instituição para o futuro da universidade pública. Ele lembrou lutas encampadas pelo centro, como a que definiu a instituição da própria Universidade Federal do Ceará, e avaliou o impacto disso para as gerações futuras. 

“O Plano Nacional de Educação tem como meta ter 40% dos jovens brasileiros de 18 a 24 anos graduados em um prazo de dez anos. São entidades como o CACB, que lutam por uma universidade de qualidade, gratuita, enraizada socialmente e aberta à diversidade do nosso povo, que farão essa meta ser cumprida”, defendeu.

Para Yasmin Santos, atual presidente do CACB, celebrar 100 anos é um privilégio que poucas entidades alcançam, especialmente entidades estudantis e movimentos sociais organizados, visto serem instituições marcadas pela constante renovação de gerações. 

Yasmin Santos e membros da chapa Vira Tempo, atual gestão do CACB - Foto: Máximo Moura

Ela considerou que, mais do que comemorar sua existência, “este centenário representa um século de organização coletiva, defesa da universidade pública e compromisso com uma sociedade mais justa”. 

Ainda conforme Yasmin, a homenagem da Alece “tem significado profundo, que parte do reconhecimento da importância do ente, mas também da iniciativa de quem viveu essa entidade e sabe da importância do movimento estudantil na formação política e vida de tantas gerações”.


CONSTRUÇÃO COLETIVA E LUTA PELA DEMOCRACIA

Antigos gestores do CACB e outras personalidades também reconheceram a importância do diretório para a construção de uma universidade pública de qualidade e inclusiva. O atual reitor da UFC, Custódio Luís Silva de Almeida, frisou que a celebração promovida pela Alece reforça a importância da presença de entes políticos na vida das pessoas. 

Custódio Luís Silva, atual reitor da UFC, fala sobre a importância do movimento estudantil para a sociedade - Foto: Máximo Moura

O reitor comentou que “é no movimento estudantil que muitos estudantes se reconhecem pela primeira vez como indivíduos políticos, e é pela política que a sociedade se organiza e toma os mais diversos rumos possíveis”. “Participei do movimento estudantil, e foi o movimento estudantil que tornou meu mundo maior”, disse. 

Da mesma forma, o atual diretor da Faculdade de Direito, Gustavo Cabral, também considerou que os estudantes são parte ativa dentro da universidade e não existem avanços no ambiente universitário que não passem pela ação dos estudantes. 

O juiz do Trabalho aposentado e presidente do CACB durante o final da década de 1960, Inocência Uchoa, reforçou que chegar aos 100 anos só foi possível devido à luta e construção coletiva de muitas gerações. “O CACB sempre esteve presente nas lutas mais importantes da história recente do nosso País, inclusive nos períodos mais difíceis, como o regime ditatorial. Nossos estudantes nunca deixaram de lutar pela democracia e por uma sociedade que pudesse exercer o direito”, complementou.

A solenidade contou, ainda, com as presenças dos desembargadores Mantovanni Colares e José Antônio Parente; da defensora pública Amélia Soares da Rocha; da secretária executiva da Igualdade Racial do Estado, Martír Silva; e do superintendente do Instituto de Desenvolvimento Agrário do Ceará, João Alfredo. 

Confira a íntegra da sessão solene:

Edição: Geimison Maia

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