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Cid Gomes avalia conjuntura política nacional e estadual no Conexão Assembleia

Por Luciana Meneses
08/05/2023 10:30 | Atualizado há 9 meses

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Apresentadora Kézya Diniz, conversa com o senador Cid Gomes (PDT-CE) - Foto: Paulo Rocha

O Conexão Assembleia, programa multiplataforma da rádio FM Assembleia (96,7MHz), completou dois anos da estreia e recebeu, nesta segunda-feira (08/05), o senador Cid Gomes (PDT-CE).

Durante a entrevista à apresentadora Kézya Diniz, ele abordou questões como os desafios da base aliada do governo Lula no Senado, o cenário político nacional e estadual, além de rompimentos e alianças políticas após as últimas eleições. Sobre os desafios, enquanto líder da bancada do PDT, o senador disse que há mais abertura para as discussões no atual governo.“Foi difícil atuar durante o Governo Bolsonaro, pois a gestão não tinha qualquer planejamento e não funcionava no dia a dia, principalmente com toda aquela exacerbação do conservadorismo. Confesso que não havia ânimo para enfrentar. Agora vivemos um novo momento, não que esteja tudo resolvido e maravilhoso, mas há mais abertura para diálogo e bons debates”, opinou.

O senador acrescentou que se sente “à vontade” na base aliada do governo, apesar das diferenças, o que não o impede de fazer observações e apontar equívocos, sempre com o objetivo de colaborar. Ele considerou ainda como prejudicial a relação entre o Poder Executivo e o Legislativo em nível federal. “Acredito que desde Fernando Henrique há uma relação entre Poder Executivo e Legislativo que não traz benefícios para o País. Não importa quem esteja à frente da Câmara, essa pessoa irá alterar a Constituição e usar de sua força para anular o presidencialismo. A responsabilidade de governar é do presidente, mas atualmente o poder é do Parlamento", observou. O senador lembrou que Lula mal completou quatro meses de governo e a Câmara aprovou um decreto que anula uma decisão do Executivo. "É um confronto aberto do núcleo central. Ou se procura mudar essa relação ou não fará diferença se o presidente é o Bolsonaro ou Lula. O pacto de governabilidade e relação entre os poderes precisa ser modificado”, analisou.

Sobre o rompimento com seu irmão Ciro Gomes após as eleições, Cid Gomes declarou que a questão é familiar e aguarda a oportunidade de resolvê-la em casa. “Questão familiar se resolve dentro de casa, e aguardo pacientemente a oportunidade de discutir o assunto com meu irmão. Procuro fazer tudo com senso de humildade, resignação, mas sem renunciar ao principal, que é o melhor para o Ceará. Para mim, Izolda era um excelente quadro para os próximos quatro anos e nos daria possibilidade de trabalhar também seu sucessor, pois é natural a fila andar, e formar lideranças para o futuro é muito importante. Andamos no Ceará em 2021 colocando quatro nomes excelentes, e eles tiveram a liberdade de escolher”, pontuou. Para o senador ainda, Ciro continua sendo a pessoa mais preparada para governar o Brasil, "porém a população entrou numa disputa passional, onde se votava em um para não votar no outro, e não buscando as melhores propostas". 

O senador descartou ainda qualquer possibilidade de sair do PDT e sua pretensão em presidi-lo no Ceará e afirmou que acatará a indicação do partido seja qual for o nome escolhido para a candidatura à Prefeitura de Fortaleza nas próximas eleições. Porém, pontuou ainda ser cedo para qualquer leitura do cenário, uma vez que possíveis candidaturas podem ser fragilizadas com o surgimento de novos nomes.

A relação entre o PDT e o PT em nível estadual também foi tema da conversa. Para o parlamentar, o prefeito de Fortaleza Sarto errou em não apoiar Camilo Santana para o Senado e deveria buscar uma boa relação com o governador Elmano de Freitas. “Acho que o foco do Sarto nesse momento não deve ser na reeleição, e sim na administração. Roberto Cláudio é independente, pode conduzir essa relação da forma que achar melhor. Mas Sarto não deveria seguir nessa estratégia. É contraproducente. Falo com um incômodo grande, pois gosto muito do Sarto e sei que Fortaleza não ganha nada com isso”, avaliou.

Cid Gomes aproveitou para esclarecer que a taxa do lixo é uma exigência do novo Marco Legal do Saneamento, inclusive exigido em decreto aprovado pelo presidente Lula, e não é correto crucificar Sarto por essa cobrança. "Se o Sarto não cobrasse essa taxa, poderia ser acusado de improbidade administrativa. Sarto não deve ser criticado por isso, pois é uma imposição e necessidade. Que se discuta sobre o valor, mas a taxa é necessária”, justificou. 

Conexão Assembleia é um programa multiplataforma da rádio FM Assembleia (96,7MHz), transmitido nas redes sociais da Assembleia Legislativa do Ceará, no YouTube e no Facebook, às segundas-feiras, a partir das 8h. A produção é veiculada também na TV Assembleia, às segundas-feiras, às 20h30. O programa fica disponível ainda no podcast Rádio FM Assembleia. Basta procurar o canal nas principais plataformas de áudio, como Spotify, Deezer, Apple Podcasts e Google Podcasts.

Confira a entrevista na íntegra:

Edição: Adriana Thomasi

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