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Renato Roseno condena política de investimentos do Governo do Estado

Por ALECE
22/11/2016 14:57 | Atualizado há 11 meses

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Dep. Renato Roseno (Psol) Dep. Renato Roseno (Psol) - Foto: Máximo Moura

O deputado Renato Roseno (Psol) criticou, durante o primeiro expediente da sessão plenária desta terça-feira (22/11), a agenda econômica desenvolvida pelo Governo do Estado nos últimos anos. O parlamentar lamentou que, mesmo com o Ceará enfrentando uma grave crise hídrica, o governador Camilo Santana tenha viajado à China para assinar acordos com multinacionais de petróleo com o objetivo de realizar estudos para possível instalação de refinaria no Estado.

“Essa política é advinda de uma concepção neodesenvolvimentista, baseada em uma ideologia que busca colocar os insumos e serviços públicos em favor de segmentos do setor privado”, comentou. Para Renato Roseno, isso foi popularizado entre a Era Vargas e a Ditadura Militar e “deixou resquícios na formação de gestores dos anos 1980 e 1990, o que, para minha decepção, ainda está presente nos dias de hoje”.

Na avaliação do parlamentar, a agenda econômica adotada pelo governador Camilo é dos anos 1950, e não dialoga com as necessidades e demandas do tempo presente.

“O pensamento é sempre o de que a saída para a pobreza e a desigualdade - e o consequente desenvolvimento do Estado - passa pela atração de empreendimentos exógenos, e não pelo crescimento endógeno, que seria o investimento em capacitação, a universalização da educação básica e o desenvolvimento da nossa ciência e tecnologia, que se adaptem às nossas condições”, salientou o deputado.

Roseno considerou ainda uma contradição que o governador assine acordos que podem resultar na instalação de uma refinaria no Estado, ao mesmo tempo em que está sendo discutida a proposta da Política Estadual sobre as Mudanças Climáticas (PEMC), que norteará a elaboração do Plano Estadual sobre Mudanças Climáticas do Estado do Ceará.

“É um contrassenso, uma incongruência e uma incoerência muito grande que uma gestão que só apresenta ao Ceará uma agenda econômica que provoca maior concentração de riqueza e destruição das nossas riquezas hídricas queira que aprovemos uma Política Estadual de Mudanças Climáticas, quando o mundo todo já está mudando suas matrizes energéticas”, ressaltou.

Em aparte, o deputado Carlos Felipe (PCdoB) citou avanços do Estado na produção de energia renovável. “No ano passado, o Ceará foi o Estado que mais aumentou sua produção de energia formada pelo parque eólico, sendo o segundo maior produtor desse tipo de energia no País, além de ser o primeiro em produção de energia solar”, informou.

Já a deputada Dra. Silvana (PMDB) também considerou contraditória a posição do Governo do Estado em relação à PEMC. “Está tudo muito confuso e penso que o momento é de sentarmos e, de forma racional, traçarmos uma política ambiental que seja coerente com os desafios do planeta”, defendeu.

RG/GS

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