Ordem do Dia

Parlamentares avaliam operação policial no Rio de Janeiro

Por Narla Lopes, Lincoln Vieira, Luciana Meneses, Gleydson Silva e Amanda Andrade*
29/10/2025 13:20 | Atualizado há 4 meses

Compartilhe esta notícia:

Sessão plenária desta quarta-feira (29/10) - Foto: Paulo Rocha / Alece

Durante a ordem do dia e o tempo de explicações pessoais da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) desta quarta-feira (29/10), os parlamentares debateram diversos temas, incluindo as operações policiais no Rio de Janeiro, os desafios da administração municipal e estadual e medidas para ampliar serviços públicos essenciais à população.

O deputado Acrísio Sena (PT) classificou como “desastrosa” a operação policial realizada no Rio de Janeiro. Ele defendeu que a segurança pública precisa ser tratada de forma nacional e criticou os parlamentares que impedem o avanço da PEC do Sistema Único de Segurança. “Retardar a PEC da Segurança Pública é uma forma de colaborar com o crime organizado”, afirmou. Acrísio Sena rebateu também acusações de omissão federal no apoio ao Rio de Janeiro, citando apreensões de armas e munições, operações da Polícia Federal e renovações da Força Nacional no período de 2023 a 2025.

Já a deputada Dra. Silvana (PL) rebateu a afirmação de que o Governo do Rio de Janeiro não teria solicitado apoio federal, afirmando que há ofício assinado pelo governador Cláudio Castro pedindo blindados ao Governo Lula, o que, segundo ela, foi negado. A parlamentar destacou ainda que a operação no Rio “foi planejada com antecedência”.  

O deputado David Vasconcelos (PL) criticou a falta de atenção de parlamentares e autoridades para os assassinatos de cidadãos comuns no Ceará, questionando por que não há manifestações com a mesma intensidade usada para debater a operação policial no Rio de Janeiro. Ele também apontou a falha do Estado em prender o ex-prefeito do município de Choró, Carlos Alberto Queiroz, conhecido como Bebeto do Choró, e indagou: “Quantos homens e mulheres de bem são assassinados diariamente e ninguém se levanta nessa tribuna para ter essa mesma força de questionar a ação do crime organizado?”.

Para o deputado Cláudio Pinho (PDT), são necessárias ações firmes do Estado contra o crime organizado. Ele avaliou que a população quer segurança e observou que, em operações como a que aconteceu no Rio de Janeiro, haverá mortes. “Em dez anos, mais de 30 mil pessoas foram assassinadas no Ceará. Ano passado foram mais de três mil mortes. O povo quer segurança. Vivemos uma guerra civil. Se o Estado resolver entrar nos bairros para limpar, teremos morte sim, mas o que a população quer é segurança”, comentou. 

Por sua vez, o deputado Missias Dias (PT) ressaltou que o modelo de gestão do governador Cláudio Castro na segurança pública no Rio de Janeiro é desastroso. Para ele, o crime organizado é um problema nacional e internacional. “Foram 132 pessoas a óbito, e é esse o modelo correto de gestão? Os governadores vão ter que agir por conta própria? Eu acho que não é assim. Nós não concordamos com a bandidagem nem com facções, por isso o governador Elmano tem feito o combate, e as nossas falas na Alece são para dizer o necessário para o crime não crescer e aterrorizar a população”, salientou.

Na mesma linha, a deputada Jô Farias (PT) lamentou a operação da polícia do Rio de Janeiro. Segundo ela, a ação policial foi “desastrosa”. “O que se trata é de seres humanos, é uma discussão que traz tristeza na alma e no coração, porque falamos de vida humana. A operação no Rio trouxe vergonha para nós. Eu tenho certeza de que a população que mora naquele lugar não quer culpado, mas a solução, por isso o Congresso Nacional deve aprovar a PEC da Segurança”, aconselhou.

O deputado Sargento Reginauro (União) sugeriu ao Governo do Estado tomar a operação contra o crime no Rio de Janeiro como exemplo. “Por que o governo daqui não enfrenta o crime da forma como fizeram no Rio de Janeiro? Não querem comparar o que acontece aqui com terrorismo, mas decapitação é o quê? Isso e coisa pior acontece diariamente na nossa periferia, mas o governo quer resolver com discurso político, e a população segue perdendo a guerra todos os dias”, criticou. 

Ainda sobre as ações de confronto ao crime organizado no Rio de Janeiro, o deputado Júlio César Filho (PT) se disse totalmente a favor, desde que sejam realizadas de forma responsável. “O que vimos ali não pareceu algo feito com estratégia.  Foram 133 mortes, e eu espero que, com exceção dos quatro policiais, tenham sido de criminosos, e não de moradores inocentes das comunidades. Reforço aqui também que o governador Cláudio Castro não pediu ajuda ao Governo Federal, mesmo ciente de que uma operação desse porte precisa ser feita de forma integrada”, lamentou.

O deputado Queiroz Filho (PDT), por sua vez, fez um apelo ao Governo do Estado para melhorar a situação do Corpo de Bombeiros. Segundo ele, há mais uma semana estão acontecendo queimadas na Ladeira das Oiticicas, em Viçosa do Ceará, e os bombeiros não estariam conseguindo agir por falta de equipamentos. “Está pegando fogo há quase uma semana, e apelo ao governo que dê condições para o Corpo de Bombeiros atuar. Falta equipamento. Nem acionar o 193 as pessoas estão conseguindo, pois o número está com problema. É prejuízo para o meio ambiente, para a população e para a corporação, que quer trabalhar e não consegue”, denunciou.

Abordando outra temática, o deputado Bruno Pedrosa (PT) destacou reunião com o presidente da Alece, deputado Romeu Aldigueri (PSB), com mais de 30 empresários do setor de energia, alertando para riscos da medida provisória n.º 1.304/2025, que pode impor taxa de até 28% sobre usinas solares já existentes e nova cobrança para futuros projetos, o que ameaça o setor de energia solar no Ceará. Bruno Pedrosa pediu apoio de deputados e senadores cearenses para barrar os artigos que prejudicam pequenos e médios produtores e defendeu que o Brasil não “se torne um país de insegurança jurídica ou contrário às tecnologias sustentáveis”.

Já o deputado Agenor Neto (MDB) cobrou diálogo da Prefeitura Municipal de Iguatu com servidores e sindicatos, que estão realizando a nona paralisação em dez meses de gestão. Segundo o parlamentar, os servidores alegam retirada de direitos e benefícios, perseguição e até abertura de investigação contra o sindicato.  “O que estamos vendo em Iguatu não é uma mera divergência administrativa; é algo mais profundo, uma crise de gestão, de diálogo e de sensibilidade humana, quando uma gestão se fecha para ouvir quem carrega o serviço público nas costas”, avaliou. 

O deputado Marcos Sobreira (PSB) também falou sobre os servidores do município de Iguatu. Segundo ele, quando a atual gestão assumiu, os servidores já estavam em greve pelo atraso do salário de dezembro de 2024 e o não pagamento do 13° salário. Ainda conforme ele, mesmo assumindo com dificuldades, a atual gestão pagou os servidores em dia, quitou os meses não pagos e abriu negociação com os servidores. “Este ano, o servidor do município teve um reajuste salarial de 7,5%, um dos maiores do Ceará. Dificuldades temos, mas muito já avançou. Muitas coisas ainda não dá pra fazer, pois o rombo das últimas gestões foi grande e comprometeu o orçamento”, justificou.

Em pronunciamento, o deputado Lucinildo Frota (PDT) criticou a gestão estadual por manter contratos com empresas investigadas pelo Tribunal de Contas do Estado do Ceará (TCE Ceará), enquanto, segundo ele, o serviço público enfrenta um processo de sucateamento. O parlamentar citou especificamente o contrato firmado pela Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice) com a empresa IPQ Tecnologia. “O deputado Cláudio Pinho já falou dessa empresa, que vende drones para o Ceará por mais de R$ 1 milhão, enquanto no Rio de Janeiro custava pouco mais de R$ 200 mil. O que nos leva a entender que o dinheiro que era para ser da segurança pública está indo para as mãos de empresas cujos donos doam para campanhas petistas. Precisamos dar um basta nessa situação”, defendeu.

Ao abordar a temática do serviço público, o deputado Guilherme Sampaio (PT) celebrou a posse de mais de 190 novos servidores da saúde estadual e ressaltou a importância da Alece no processo de implementação do concurso público. O parlamentar destacou que, até o primeiro semestre de 2026, serão convocados 1.600 profissionais de saúde, que atuarão tanto em grandes hospitais já existentes quanto nos equipamentos do interior. Guilherme Sampaio enfatizou que a ampliação da rede estadual de saúde tem reduzido a necessidade de deslocamentos para Fortaleza. “O Governo do Estado está conduzindo uma ampliação sem precedentes na saúde pública”, celebrou.

O deputado Salmito (PSB) registrou voto de pesar pelo falecimento de Luciano Railúcio, natural de Russas, vítima de câncer. O parlamentar expressou solidariedade à família, destacando que Luciano era filho do ex-vereador Raimundo Quincó e irmão do vereador Railúcio Quincó, que foi o mais votado do município nas eleições de 2024. 

Salmito também estendeu sua mensagem de apoio a todos os pacientes que enfrentam o câncer e ressaltou o trabalho do Governo do Estado na interiorização do tratamento oncológico, com destaque para o funcionamento do Hospital Regional do Vale do Jaguaribe, em Limoeiro do Norte, próximo ao município de Russas. “Só quem enfrenta essa situação sabe como é importante a descentralização do tratamento contra o câncer. Parabéns ao governador pelo seu trabalho”, afirmou.

E o deputado Sérgio Aguiar (PSB) anunciou que a Alece vai realizar, na próxima quarta-feira (05/11), sessão solene no Plenário 13 de Maio em homenagem ao ex-deputado estadual Rogério Aguiar. “Nós vamos homenageá-lo em vida, ele é um grande amigo que comemora hoje (29/10) 80 anos. A sessão solene é para marcar o que ele representa para o Ceará e para o Vale do Acaraú”, informou.

* Estagiária sob supervisão do editor Geimison Maia

Edição: Geimison Maia

Veja também

Plenário 13 de Maio
Plenário 13 de Maio
Ordem do Dia 12/03/2026

Deputados destacam aniversário de Mulungu, segurança pública e novos investimentos no Ceará

Autor: Gleydson Silva, Giovanna Munhoz, Narla Lopes, Ricardo Garcia e Amanda Andrade*
Plenário 13 de Maio
Ordem do Dia 10/03/2026

Deputados debatem situação indústria, carência na Defensoria Pública e gestão de Fortaleza

Autor: Gleydson Silva, Ricardo Garcia, Narla Lopes e Luciana Meneses