Atuação de 30 anos do Movimento Saúde Mental do bairro Bom Jardim é reconhecida em sessão solene
Por Pedro Emmanuel Goes29/04/2026 19:57 | Atualizado há 56 minutos
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A Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) celebrou, em sessão solene na noite desta quarta-feira (29/04), no Plenário 13 de Maio, os 30 anos do Movimento Saúde Mental (MSM), grupo precursor no cuidado com esta área da saúde sediado no bairro Bom Jardim. Durante a solenidade, solicitada pelos deputados Renato Roseno (Psol), Larissa Gaspar (PT), Missias Dias (PT) e Jô Farias (PT), 20 membros, instituições e empresas apoiadoras do grupo foram homenageados com certificados.
Liderado pelo padre Rino Bovinni, médico e sacerdote italiano naturalizado brasileiro, o grupo surgiu em 1996 desafiando os limites da psiquiatria tradicional e consolidando uma “abordagem sistêmica comunitária”, método que transformou o bairro periférico de Fortaleza em referência internacional de inovação social.
O deputado Renato Roseno (Psol) chamou atenção para a importância do movimento em uma fase da humanidade em que se produz adoecimento em larga escala. Ele destacou, especialmente, as várias abordagens do cuidado trabalhadas pelo movimento, que deu origem, de acordo com ele, a uma terapia baseada no território.

Deputado Renato Roseno (Psol) destaca a importância do Movimento Saúde Mental. Foto: Máximo Moura
“É muito relevante a existência de um movimento de saúde mental comunitária e especialmente de uma terapia construída a partir do território. É uma outra teoria do conhecimento, é uma outra prática do conhecimento, que nasce do cuidado coletivo e da auto-organização comunitária”, observou.
Ele frisou que a abordagem sistêmica comunitária pensa o território não apenas do ponto de vista negativo e estigmatizado. “Esse movimento repensa a força de vida que nasce nas periferias, pois há força de vida nesses lugares, e as durezas da vida são vencidas por ações de vida, e não de violência”, acrescentou.
A homenagem, para o parlamentar, também se faz em reconhecimento ao papel dos indivíduos. “Não há história sem as forças e energias dos indivíduos mobilizados em coletivo. O que vocês fazem é revolucionário”, avaliou.
A deputada Larissa Gaspar (PT), que participou por meio de videoconferência, deixou uma mensagem de apoio ao grupo e reafirmou o compromisso dela com a criação de políticas voltadas para a saúde mental e fortalecimento da rede de apoio.
MOVIMENTO SAÚDE MENTAL
A abordagem sistêmica comunitária promovida pelo Movimento Saúde Mental une psiquiatria, medicina e espiritualidade em uma metodologia que se expande dos consultórios para o tecido social da comunidade. O coordenador do movimento, Padre Rino Bonvini, explicou que a abordagem se fundamenta em três pilares: a autopoiese comunitária, a trofolaxe humana e a sintropia.
Atualmente, a organização realiza entre 3.500 e 3.700 atendimentos mensais, contando com uma equipe de 54 colaboradores e dezenas de voluntários em um trabalho em prol da transformação social por meio de práticas terapêuticas integrativas, apoio psicossocial e projetos de geração de renda.
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Coordenador do Movimento Saúde Mental, padre Rino Bonvini - Foto: Máximo Moura
Conforme o padre Rino, a ideia é que, em um sistema econômico que “deseja escravizar e retirar a dignidade das pessoas em detrimento de uns poucos privilegiados”, as pessoas possam se conhecer, se valorizar, desenvolver uma autoestima saudável e se realizar em um projeto de vida comunitário.
“Por isso usamos as palavras ‘resistência’ e ‘revolução’. Nosso objetivo é reconfigurar esse bairro e exaltar o seu lado que não é só estigma de violência e marginalização, mas o lado que pode ser e é palco de experiências proféticas”, defendeu.
A representante do Centro de Defesa da Vida Herbert de Souza, Lúcia Albuquerque, também membro do MSM e que falou em nome dos homenageados da noite, também reforçou a importância da vivência “biopsicoespiritual” entre os indivíduos dos territórios. “As vivências promovidas pelo MSM e seus gestos de escuta e cuidado são cada vez mais necessárias, pois, do contrário, sobram ausências que nos afastam do coletivo, do político e, em consequência, da nossa dignidade”, frisou.
A sessão solene contou com a presença do presidente do Tribunal de Contas do Estado, do Ceará (TCE Ceará), Rholden Botelho de Queiroz; da desembargadora do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE) Graça Quental; do superintendente do Instituto de Desenvolvimento Agrário do Ceará (Idace), João Alfredo; e da coordenadora de Política de Saúde Mental do Ceará, Rane Félix.
Confira a íntegra da sessão solene:
Edição: Geimison Maia
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