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Alece debate sobre atendimento a pacientes com endometriose no CE

Por Juliana Melo
15/06/2023 19:00 | Atualizado há 9 meses

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- Foto: Máximo Moura

A necessidade de diagnóstico precoce e tratamento adequado na rede pública para mulheres que sofrem com endométriose no Ceará foi discutida pela Comissão de Previdência Social e Saúde (CPSS) da Assembleia Legislativa (Alece), nesta quinta-feira (15/06), durante audiência pública. 

O debate foi realizado por iniciativa da deputada Jô Farias (PT), que informou que solicitou à Secretaria de Saúde do Estado a inclusão de mulheres que aguardam por cirurgia de endometriose no Plano Estadual de Redução das Filas de Cirurgias Eletivas.

Ela destacou que apresentou três projetos sobre o tema na Alece. O projeto de lei nº 319/2023, que cria o Dia Estadual de Enfrentamento a Endometriose e que aguarda sanção; e dois projetos de indicação que tramitam na Casa, o de nº 102/2023, que trata sobre licença de dois dias para servidoras públicas do estado que sofram com sintomas, e o nº 153/2023, que cria do Programa Estadual de Enfrentamento à Endometriose

A parlamentar explicou que as sugestões serão encaminhadas aos órgãos competentes, e que seu gabinete fará uma análise do que pode ser acrescentado como emenda aos projetos de indicação que ela apresentou sobre o tema. 

Também sugeriu a criação de um grupo de trabalho para dar continuidade ao debate; reunião intersetorial com órgãos e entidades relacionadas, articulação com a Câmara Federal e Governo Federal e discussão junto aos consórcios de saúde. E informou que vai buscar se reunir com representantes da Escola de Saúde Pública e da Escola Superior do Parlamento Cearense (Unipace) para unir forças para uma capacitação de profissionais de saúde. 

A médica ginecologista e representante da Secretaria de Saúde do Estado, Débora Britto, destacou que a secretaria vai incluir as cirurgia de endometriose no Plano Estadual de Redução das Filas de Cirurgias Eletivas. Ela informou que serão feitas 350 cirurgias, dentro de um ano, nos hospitais Hospital Geral Dr. César Cals, Maternidade-Escola Assis Chateaubriand e Hospital e Maternidade José Martiniano de Alencar. 

DIGNÓSTICO E TRATAMENTO

O diagnóstico e as conseqüências da endometriose na vida mulher foram enfatizadas pelo médico Evangelista Torquato. Ele explicou que o diagnóstico de endometriose leva em média oito anos, período em que a mulher sofre com muitas dores. O médico ressaltou que mais da metade das mulheres com endometriose vai precisar de tratamento de fertilidade para conseguir engravidar e as pacientes, muitas vezes, não têm recursos para fazer o tratamento.

Ele cobrou mais diagnóstico por imagem pela rede pública também no Interior e sugeriu que seja feita uma parceria público privada com clínicas de reprodução para dar acesso ao tratamento.

A médica e professora Tatiana Passos, que coordena um projeto de extensão sobre o tema, pontuou a necessidade de investir e fortalecer as redes de pesquisas e pediu que as capacitações dos profissionais de saúde também inclua um olhar humanizado para as mulheres com essa condição. 

Tatiana Passos destacou que também tem endometriose e lembrou que nas emergência, quando uma mulher chega sentindo dores características, os médicos não costumam perguntar se ela está no período menstrual, o que ajudaria a encaminhar para exames e diagnóstico. 

Ela também cobrou transporte mais adequado para as pacientes que saem do Interior com dor para buscar atendimento, que se promova a interiorização do atendimento, mais orientação às mulheres para que elas aprendam a reconhecer os sintomas, mais informação nas escolas, nas universidades, nas comunidades urbanas e rurais; e capacitação sobre os problemas que a endometriose pode causar em outros órgãos, como intestino. 

Para o representante do Conselho Regional de Medicina, médico Marcos Bessa, o exame de mapeamento do endométrio, que é mais barato, deveria ser oferecido em mais cidades. Ele reforçou que o médico, mesmo que não seja ginecologista, pode solicitar esse exame. Bessa defendeu ainda que seja facilitado o acesso ao DIU hormonal, que é indicado para tratar algumas pacientes com endometriose.

A chefe da Divisão Médica da Maternidade Escola Assis Chateaubriand (MEAC), Zenilda Vieira Bruno, explicou que o tratamento precoce é melhor para a paciente e custa menos aos cofres públicas. Ela relatou que a cirurgia é muito mais cara porque envolve equipamentos mais complexos, internação mais longa e diversas especialidades, pois além do ginecologista, também precisa de um proctologista e um urologista durante o procedimento. A médica informou que em alguns estados a compra do DIU hormonal é feita com verbas de emendas parlamentares e sugeriu que o mesmo seja feito no Ceará.

Também estiveram presentes a secretária de Saúde de Canindé, Islane de Fátima; a prefeita de Quiterianópolis, Priscila Duarte; o supervisor da residência médica de endoscopia ginecológica da MEAC, Leonardo Bezerra; presidente do Grupo de Apoio às Mulheres Portadoras de Endometriose do Ceará, Liana Melo; a representante do Conselho Municipal De Saúde, Aila Maria Sousa. 

Edição: Clara Guimarães

 

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