Trovões e tempestades são temas do programa Questão de Ordem
Por Waldyh Ramos05/05/2023 15:24 | Atualizado há 9 meses
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O programa Questão de Ordem, da TV Assembleia (canal 31.1), entrevista, nesta sexta-feira (05/05), o doutor em Engenharia Elétrica e professor de Astronomia da Universidade Federal do Ceará (UFC) Ednardo Rodrigues, que vai abordar o tema “Trovões, tempestades e suas consequências”.
No último mês de abril, os fortalezenses tiveram um trovão grandioso como despertador, entre as 4h e 5h, no dia 10/04. O raio que causou o fenômeno provavelmente caiu no Oceano, mas gerou um tremor em alguns pontos da cidade. Entre os assustados, uma pergunta: por que o fenômeno foi tão alto?
De acordo com Agustinho Brito, meteorologista na Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), a capital cearense teve a formação de uma nuvem cumulonimbus, do tipo que fica por volta de 1,5 mil e 12 mil metros de extensão. No interior dessa nuvem, há uma movimentação de ventos e gelo, e quando o raio se forma e cai, gera uma forte expansão do ar. “Então, os raios aquecem o ar e isso gera um deslocamento, como uma bomba, e tem essa onda sonora que chamamos de trovão”, explica Agustinho.
O estrondo foi ouvido até em outras cidades na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), e isso acontece, segundo Ednardo Rodrigues, membro do Grupo de Proteção contra Descargas Atmosféricas, devido às altas velocidades. “O trovão ocorre porque as cargas elétricas, quando escapam das nuvens, se deslocam em velocidades supersônicas, por isso pode ser ouvido a uma dezena de quilômetros, que é mais ou menos a distância entre Fortaleza e Caucaia”, completa.
A formação de um raio ainda é um mistério, como informa Ednardo, que também participa do Laboratório de Sistemas de Forças Motrizes da Universidade Federal do Ceará (UFC). Mas a resposta pode estar nos cristais de gelo que se formam nas nuvens até de lugares quentes como o Ceará.
Esses cristais, conforme explica Ednardo Rodrigues, têm uma propriedade de acumular muita carga elétrica, e quando o campo elétrico atinge entre 100 e 400 kV/m, o ar úmido deixa de ser isolante, e por isso as cargas começam a cair em direção à terra.
Além do barulho, a experiência de “fim do mundo”, como alguns moradores definiram, veio junto com a sensação de tremor. “Um raio nuvem-solo geralmente faz a terra tremer, porque as vibrações, além de se propagarem pelo ar, também são dissipadas na Terra”, completa.
ENTREVISTADO
Ednardo Rodrigues é graduado em Física e mestre Cientista pela Universidade Estadual do Ceará (UECE) e doutor em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Ceará (UFC). É professor de Astronomia e Física e atualmente é membro do Grupo de Pesquisa em Proteção contra Descarga Atmosférica (GPDA).
Foi membro da comissão organizadora do XXII Encontro Nacional de Astronomia, realizado em 2019, alusivo ao Centenário do Eclipse de Sobral de 1919. É pesquisador na área da teoria alternativa da gravidade, fenomenologia da matéria escura e expansão do modelo padrão de partículas.
Ednardo Rodrigues escreve, às segundas-feiras, no Jornal Diário do Nordeste, sobre o céu, planetas, astros e seus mistérios.
Com produção de Helenir Medeiros e apresentação do jornalista Renato Abreu, o programa Questão de Ordem vai ao ar de terça a sexta-feira, às 19h30. A reprise acontece às 7h do dia seguinte. O Questão de Ordem também é transmitido pela rádio FM Assembleia (96,7 MHz), de terça a sexta-feira, às 22h.
Edição: Clara Guimarães
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