Notícias

Conscientização sobre a segurança no trânsito é tema de audiência na Alece

Por Ariadne Sousa
29/05/2025 16:37 | Atualizado há 2 meses

Compartilhe esta notícia:

Audiência alusiva ao Maio Amarelo discute ações para melhorar segurança nas vias - Foto: Marcos Moura

A Campanha Maio Amarelo foi discutida na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), na tarde desta quinta-feira (29/05), em audiência pública realizada pela Comissão de Viação, Transporte e Desenvolvimento Urbano. Entre os assuntos debatidos foram destacados os altos índices de acidentes de trânsito, assim como estratégias para melhorar a segurança nas vias. 

O deputado Bruno Pedrosa (PT) propôs o encontro em alusão à campanha Maio Amarelo. Ele ressaltou que o Ceará tem tido avanços nas políticas públicas de trânsito, inclusive com relação à fiscalização e criação de órgãos municipais, mas que, em geral, ainda é necessário que haja mais conscientização e ações preventivas. “Sempre que as autarquias municipais estiverem fortalecidas, com viaturas, com mais pessoal bem treinado e bem remunerado, sempre haverá maior prevenção e a redução nos acidentes e nas mortes em acidentes de trânsito”, destacou. 

Em 2023, 34.881 pessoas morreram no País em decorrência de sinistros de trânsito, foi o que detalhou o diretor de Educação de Trânsito do Departamento Estadual do Trânsito do Ceará (Detran-CE), Jorge Trindade. “O Maio Amarelo este ano tem o tema ‘Desacelere: seu bem maior é a vida’, e vale salientar que o maior fator de risco de mortes no trânsito é o excesso de velocidade. Então esse tema é muito pertinente, porque vem nos alertar sobre a importância de desacelerarmos e de que o nosso maior bem é a vida”, disse o diretor. 

Ele explicou que, no âmbito do Detran-CE, as ações de educação são intensificadas durante o mês de maio, mas que elas ocorrem durante todo o ano. “Eu queria citar a Escola de Educação para o Trânsito, que tem sede em Fortaleza, Sobral e Juazeiro do Norte. Nessas escolas nós recebemos uma turma, seja de escola pública ou particular, e ali as crianças recebem orientações, realizam atividades lúdicas voltadas para a temática do trânsito”, completou Jorge Trindade. 

Na avaliação do vereador de Quixeramobim e autor de livros sobre segurança viária Luís Carlos Paulino, não existe na sociedade uma característica inerente à segurança no trânsito. Ele cita, como exemplo, a obrigatoriedade do uso do capacete, que muitos motociclistas, apesar de saberem que é para sua proteção, insistem em não utilizar. Diante disso, ele considera que os regramentos, controle e vigilância, assim como atividades educativas, fazem-se essenciais. 

Vereador Luís Carlos Paulino, autor de livros sobre segurança viária, defende maior controle e fiscalização do cumprimento das regras de trânsito - Foto Marcos Moura

“Eu não gosto do discurso da educação em detrimento da fiscalização, eu acho que são duas ferramentas que estão à disposição da gestão. Os dois são igualmente importantes. Eu sempre os coloco numa relação de horizontalidade, então entendo que os dois instrumentos são igualmente importantes”, declarou. 

Segundo o representante da Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC) de Fortaleza, João Keuber, existe um déficit de órgãos de trânsito nos municípios do Ceará, algo que pode ser relacionado, entre outros aspectos, à resistência de gestores e ao falso entendimento, por parte deles, de que a fiscalização geraria transtornos quanto à avaliação dos eleitores. 

Com relação aos dados de Fortaleza, ele apresenta que existe um padrão de queda no registro de vítimas fatais no trânsito a partir do ano de 2004 até 2023, com 331 e 157, respectivamente. Apesar disso, João Keuber chama a atenção para o ano passado, com 187 mortes, um aumento de 17% em comparação ao ano anterior. 

Para o presidente da Associação de Agentes de Trânsito e Cidadania de Fortaleza, Renato Torres, as iniciativas educativas devem ser trabalhadas de forma prioritária pelos órgãos de trânsito, mapeando as particularidades de cada local, para que as intervenções cheguem à sociedade com efetividade. Nesse contexto, o superintendente do Demutran de Horizonte, Evaldo Júnior, considera que os entes municipais, estaduais e federais devem atuar de forma convergente para que o “condutor entenda que o trânsito é um só”.

O presidente do Demutran de Itaitinga, Francisco Wellington, alertou para os impactos que os acidentes de trânsito geram na rede de saúde pública, inclusive com sobrecarga em algumas instituições como, o Instituto Doutor José Frota (IJF). “Um trânsito seguro não é gasto, é investimento”, finalizou. 

Entre os encaminhamentos, o deputado Bruno Pedrosa se comprometeu em apresentar projeto para estabelecimento de uma semana para prevenção ao sinistro de motociclistas e outro que possa determinar um prazo para que os municípios que não têm órgãos de fiscalização municipal façam a criação. Participaram da mesa de diálogo ainda: a coordenadora do setor de educação da Autarquia Municipal de Trânsito (AMT) de Caucaia, Mirislândia Salmito; o representante da AMT de Quixeramobim Francisco Willame, e agente de trânsito do Crato Marcela Alves de Sousa. 

Acompanhe abaixo a íntegra da audiência:

Edição:  Clara Guimarães

Veja também