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Grupo de adolescentes com autismo do Ciadi completa um ano

Por Geimison Maia/com Assessoria
23/08/2023 16:36 | Atualizado há 9 meses

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Grupo de adolescentes com autismo do Ciadi completa um ano - Foto: José Leomar

A construção da autonomia é um dos importantes pilares trabalhados pelo Centro Inclusivo para Atendimento e Desenvolvimento Infantil (Ciadi) da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), que acompanha crianças e adolescentes com transtorno do espectro autista (TEA) e T21 (síndrome de Down). 

Uma das iniciativas do centro completa um ano: o grupo de habilidades sociais com adolescentes com autismo, formado com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento pessoal e social e a autonomia. 

Com encontros semanais, o grupo participa de atividades variadas para ampliar o repertório social para as situações vivenciadas no dia a dia. O trabalho é promovido pela equipe do Ciadi respeitando as particularidades de cada adolescente e sempre contando com a parceria das famílias. 

Marília Maia, psicóloga do Ciadi, é uma das profissionais à frente do grupo e comenta que são abordadas questões como autoconhecimento, autoestima, habilidades sociais, emoções, comunicação e conhecimentos sobre a vida acadêmica e profissional. 

A fase da adolescência, explica, já possui desafios e especificidades para os adolescentes e suas famílias. Por isso, o trabalho e a interação promovidos pelo grupo do Ciadi se tornam ainda mais relevantes. 

Os adolescentes e suas famílias participam de diversas ações, entre elas atividades externas, que buscam colaborar para que a experiência em ambientes diferentes seja positiva, assim como para despertar o interesse por mais assuntos. 

A proposta, aponta a psicóloga, busca abordar a percepção que os adolescentes têm deles mesmos em ambientes variados, criando ainda estratégias para que consigam lidar com os desafios.

Jovens atendidos pelo Ciadi visitam os estúdios da TV Assembleia - Foto: Júnior Pio

Entre as visitas externas realizadas pelo grupo estão museus, como o da Imagem e do Som (MIS); a Seara da Ciência, equipamento da Universidade Federal do Ceará (UFC) para divulgação científica; os estúdios da TV Assembleia; o Corpo de Bombeiros e supermercados. 

No retorno do grupo na última sexta-feira (18/08), após o recesso de julho, os adolescentes participaram de ação em celebração ao Dia dos Pais, com oficinas e atividades com a participação dos familiares, fortalecendo vínculos e homenageando as figuras paternas. 

APOIO, CONFIANÇA E AUTONOMIA

Entre os participantes do grupo de adolescentes está Arthur Melo Pereira, de 14 anos, que está desde o início da iniciativa, criada em agosto de 2022. Ele compartilha que gosta do Ciadi e acha interessantes as atividades vividas. “Gosto das atividades mais interativas, que induzem mais conversas, e daquelas onde a gente conhece novos lugares”, comenta.

Luiziana Melo, mãe de Arthur, compartilha que o diagnóstico do autismo só chegou para a família quando ele tinha 11 anos. A partir disso, família, escola e profissionais reforçaram a parceria para apoiar o desenvolvimento do Arthur, suas potencialidades e desafios. 

A adolescência, avalia, tem sido um desafio na adequação do ritmo, das expectativas e da rotina, por isso a relevância do trabalho realizado com o grupo no Ciadi.

“Os terapeutas trabalham habilidades sociais com os adolescentes, fazem sessões preparatórias simulando algumas situações com eles e depois eles vão para uma atividade prática”, relata, exemplificando a ida ao supermercado sem intervenção das famílias, a apresentação de trabalho em grupo e o encontro com profissionais de diversas áreas sobre as possibilidades da vida profissional. 

Para Luiziana, Arthur ganhou mais confiança e autonomia a partir das experiências vivenciadas no grupo de adolescentes. “E não são só os jovens que têm ganhos com a participação no projeto, a troca que há também entre os pais é muito positiva, a gente se sente muito acolhido e também adquire novos conhecimentos, isso colabora e facilita o nosso dia a dia”, complementa.

“O grupo de habilidades sociais é muito importante para mim,  pois tenho dois filhos com autismo e sou paciente oncológica, então é muito gratificante saber que estou fazendo esse bem para os meus filhos e lhes possibilitando adquirir mais autonomia e confiança para o futuro”, afirma Luiziana Melo. 

CIADI

Criado em 2021, o Ciadi promove assistência humanizada e sistêmica com foco no desenvolvimento das habilidades cognitivas, sociais, emocionais e motoras das crianças e dos adolescentes com TEA e T21.

A partir de um atendimento terapêutico multidisciplinar, o centro busca a melhor inserção das crianças e adolescentes na vida social, a ampliação da autonomia e o exercício pleno da cidadania, assim como o suporte às famílias.

Além do acompanhamento realizado, o Ciadi também tem promovido eventos, como seminários e rodas de conversa, para sensibilizar e informar sobre o TEA e o T21, contribuindo para a desconstrução dos preconceitos, a ampliação do conhecimento e a maior integração na sociedade. 

Edição: Clara Guimarães

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